Data: 04 e 05 de novembro de 1997

Local: Auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) /UNICAMP

Organização: Beatriz Caiuby Labate (mestranda Antropologia – UNICAMP)

Promoção: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)/ Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (IFCH)/ Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena

Apoio: Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria – FCM/UNICAMP/ Doutorado em Ciências Sociais (IFCH)/ Paulo Barbosa (Saúde Mental/ UNICAMP) e Ingrid Weber (grad. UNICAMP)

Apoio Técnico: Secretaria de Eventos – IFCH/Unicamp

Agradecimentos: Edward MacRae/ Clodomir Monteiro da Silva/ Wladimyr A. Sena/ Robin Wright/ Lídia Straus/ Valmir Perez/ Julia Paula Motta de Souza/ Maria Gabriela Jahnel de Araújo/ Mariana Pantona Franco/ Antonio Augusto Arantes Neto/ Daniel S. Simião/ Mauro Almeida/ Sandra Lúcia Goulart/ Cibele Cellini

Release:

O uso da ayahuasca – conhecida também como Santo Daime, Vegetal, Cipó, Yagé – bebida psicoativa obitida à partir de um cipó (Banisteriopsis caapi) e de uma folha (Psychotria virids) originários da floresta Amazônica, remonta a tempos imemorias entre os povos desta região. Diversos povos indígenas ainda utilizam a ayahuasca em seus rituais com objetivos terapêuticos e visionários.

Com o ‘boom’ da borracaha no início deste século, o seu uso passa a ser freqüente também entre as populações não indígenas da região, o que dará origem a diversos cultos marcadamente sincréticos. Dentre estes, os principais são o “Santo Daime” (anos 30), a “Barquinha” (anos 40) e a “União do Vegetal” (anos 60). Recentemente, tem ocorrido uma expansão rápida e crescente destes cultos para além das fronteiras da Amazônia, conquistando fiés nas principais cidades do país e também no exterior, como por exemplo Japão, Estados Unidos, Holanda, Espanha e Itália.

Os alunos de pós-graduação em Antropologia Social – IFCH/UNICAMP, contando com o apoio do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria – FCM/UNICAMP organizaram um Congresso que contará com a presença dos principais pesquisadores do tema, vindos de diversas regiões do país e do exterior, incluindo antropólogos, historiadores, médicos, psicólogos, psiquiatras, representante do CONFEN e representantes de diversos grupos, tais como Alex Polari, atual vice-presidente do Santo Daime, cuja sede é no interior da floresta Amazônica. É uma oportunidade ímpar onde a comunidade acadêmica, os praticantes e a sociedade em geral podem refletir a respeito da grande polêmica que a regulamentação do uso ritual da ayahuasca causou e  vem causando. Para tanto, serão discutidos os aspectos psicológicos, éticos, legais e sócio-culturais que envolvem o seu uso.

Estão programadas 03 mesas redondas e uma palestra com um pesquisador de Israel, Benny Shanon. Também haverá uma mostra de filmes e vídeos sobre o assunto bem como uma exposição de pinturas e desenhos inspirados nos efeitos visionários desta bebida.

A participação é gratuita e aberta ao público, não sendo necessária inscrição prévia.

Objetivos do Encontro:

– Uma série de ensaios e dissertações têm sido escritos por antropólogos, médicos, farmacólogos, teólogos, psiquiatras etc. O Encontro visa procurar saber qual é o tipo de produção atual que tem sido gerada e como estes diversos estudiosos estão trabalhando. É uma oportunidade ímpar destes pesquisadores se encontrarem pessoalmente e dialogarem entre si e com a comunidade acadêmica em geral;

– verificar através de estudos etnográficos as diferentes formas culturais de utilizar o enteógeno, seja no que diz respeito à sociedades indígenas, grupos étnicos, ayahuasqueiros, vegetalistas ou religiões que fazem uso da bebida. Refletir a respeito da composição histórica, cosmológica e ritualística destas diversas vertentes:

– promover uma reflexão conjunta, permitindo uma abordagem interdisciplinar;

– tratar-se-ia de uma iniciativa pioneira – principalmente em se tratando de uma Universidade – pois foram poucos os encontros no Brasil a respeito do tema;

– consolidar e contribuir para incentivar este fértil campo de estudos, possibilitando a ampliação do conhecimento do tema, seja para a comunidade acadêmica, seja para a sociedade em geral. Lançar luz, inclusive para os alunos da UNICAMP, sob estas novas e instigantes possibilidades de pesquisa;

– refletir a respeito do processo de expansão rápido e crescente pelo Brasil e pelo mundo da das linhas da União do Vegetal e do Santo Daime (a primeira conta hoje com 7 mil sócios, filiais na Califórnia, Inglaterra e Perú; o segundo têm em torno de 2.700 adeptos, e possui extensões em boa parte da Europa, na América do Sul, EUA e Japão);

– refletir a respeito da legalidade da ayahuasca. Neste sentido, contribuir para a discussão sobre os controles sociais e rituais que incidem sobre o uso sagrado de enteógenos em geral (tais como jurema, cannabis e san pedro);

– colaborar para que eventualmente futuros encontros tratem outros temas relacionados, seja fechando para algumas linhas ou ampliando para outros enteógenos de uso milenar (tais como a jurema, san pedro e cannabis);

– incentivar uma participação mais ativa e sistemática da Universidade a respeito de um assunto complexo e controverso que vem sendo tratado superficial e irresponsavelmente pela imprensa nos últimos anos;

– propiciar uma reflexão em parceria entre pesquisadores e “nativos”, o que em si já constitui uma novidade;

– constituir um banco de dados para a UNICAMP. Arrecadar material para a nossa biblioteca que encontra-se atualmente altamente defasada com relação ao tema da ayahuasca.