Tânia Soibelman apresentará uma comunicação na VII Reunião Antropológica do Mercosul no GT 32 – Experiências Religiosas na Contemporaneidade: categorias, práticas, instituições e movimentos sociais, dia 24 de julho de 2007, em Porto Alegre.

Ética, participação e discurso na pesquisa antropológica com psicoativos

A partir do envolvimento de Michael Harner com os Jívaro, a pergunta “deve o antropólogo experimentar o psicoativo?” passou do campo pessoal para a academia. Isto se deu tardiamente na antropologia mundial e americana, e mais tarde ainda na antropologia brasileira. Ao mesmo tempo em que limitada pela linguagem e terminologia correntes, a pesquisa com enteógenos obriga a antropologia a expandir-se enquanto disciplina e oferece grandes possibilidades de contribuição para o conhecimento da consciência humana. Por outro lado, mesmo com a globalização, a disseminação deste conhecimento esbarra na barreira do idioma e suas implicações políticas. Quais as consequências destes fatos para nós, pesquisadores brasileiros? Como a ética e a ótica estrangeiras interferem em nossa produção – brasileira e sul-americana – desde o idioma até a publicação, passando pela apropriação dos meios ou objeto de estudo? Como isto se encaixa no campo da atual produção antropológica global sobre enteógenos? Minha pesquisa de mestrado em antropologia, realizada no Califórnia, aborda o uso ritual da ayahuasca em três grupos no Rio de Janeiro. A metodologia suscitou questões de abordagem quanto ao meu posicionamento enquanto antropóloga que já utilizava o psicoativo muitos anos antes. Estas questões foram analisadas e desenvolvidas na tese, o que na época era incomum. Gostaria de propor nesta oficina uma reflexão sobre a construção do discurso acadêmico aplicado a enteógenos e a contribuição dos pesquisadores brasileiros neste sentido.

O Encontro também conta com uma Oficina que discutirá psicoativos. Para mais infromações, clique aqui.

Para entrar em contato com a Tânia: taniario@gmail.com

2 Comments

  1. filosofo_aposentado says:

    A visão ingênua de metodologia científica que promove a imagem do pesquisador neutro, isento, coletando dados, fazendo observações e registrando todos os fatos inerentes ou relacionados ao problema em foco, há muito caiu por terra, fato consumado nas discussões de filósofos da ciência. Um robot coletando dados e fazendo observações é capaz de inteferir no fenômeno por causa de sua programação humana e, portanto, a celeuma provocada por alguns membros de banca acadêmica, relativamente a participação ativa ou não dos pesquisadores em face das substancias pesquisadas é, talvez, típica dos esquemas kantianos: símbolo de um pensamento claro e fulgurante que voluntariamente procurou bancos de areia para encalhar.

  2. vinhateiro_homicida says:

    Decerto que existe crítico de arte que critica bem melhor que o artista, por exímio que este seja em sua arte. Mas se o artista também souber ser crítico, será que sua análise não possuirá valor, dado o envolvimento total com o fato em foco?
    Bom senso não é recomendável apenas aos outros, mas todos deveríamos vestir essa carapuça.