Notícia publicada no site de Perpétua Almeida, em 13/11/2008, aqui.
Aumenta expectativa de reconhecimento do chá como bem imaterial da cultura brasileira. Parecer técnico sai no próximo dia 26. Leia mais.

Deputada Perpétua Almeida (de costas), agendou audiência com presidente do Iphan e representantes de centros espíritas no Acre.

Existe legitimidade social no pedido de reconhecimento do chá Ayahuasca como patrimônio da cultura imaterial do Brasil. A afirmação foi feita na manhã de ontem, em Brasília, pelo presidente do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan), Luis Fernando de Almeida, aos representantes de entidades ayahuasqueiras que utilizam o chá com fins religiosos no Acre.
A notícia deixou bastante animada a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), uma das articuladoras da proposta de reconhecimento que merece apoio integral do Governo do Acre.  O processo de reconhecimento já foi aberto com aval da Gerência de Registros do Iphan, ainda no final de maio, durante a visita do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, ao Acre.
“Espero que possamos celebrar, em breve, este registro”, disse à época o ministro ao governador acreano, Arnóbio Marques, que agiu como porta-voz político em defesa do reconhecimento da Ayahuasca.  “Se nós não contarmos a nossa história, nos perderemos no tempo”, comentou Perpétua Almeida, para quem “esta é a uma religião genuinamente brasileira e tem apelo mundial por simbolizar também a preservação da floresta”. Ela agendou a audiência de ontem e fez questão de reunir as entidades interessadas em ouvir o Iphan.
“Saibam que não iremos pôr uma pedra em cima deste processo”, disse ainda Luis Fernando, criando expectativas bastante positivas sobre o desfecho da reunião da Câmara Técnica do Iphan, marcada para o próximo dia 26. Os cinco membros da câmara, todos com notório saber em História, Sociologia, Arqueologia e Antropologia, emitirão um parecer sobre a pertinência dos documentos apresentados até então.
“Foi muito bom saber que o Iphan está menos distante da Amazônia”, opinou o presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Marcus Venícius. O presidente da Fundação Elias Mansour, Daniel Zen, informou que “o Estado do Acre faz uma defesa intransigente do reconhecimento por entender quer a Ayahuasca estabeleceu bases de diferentes tradições espirituais”.
“Não queremos um reconhecimento rápido e temeroso, mas algo definitivo, justo e merecido. A nossa ansiedade é grande, mas é preciso esperar até que a burocracia legal se esgote”, ressaltou o jornalista Antônio Alves, que na reunião representou o Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo.
“O encontro foi proveitoso e a gente vai ficar na expectativa de boas novas daqui a duas semanas”, disse o representante do Centro Espírita e Culto de Oração “Casa de Jesus – Fonte de Luz”, Francisco Hipólito. Edson Lodi, do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, considerou que a receptividade do Iphan “é uma motivação para que o reconhecimento da Ayahuasca se manifeste por boas práticas ambientais e culturais”.
A assessoria do Iphan informou que o parecer técnico seguirá para análise do Conselho Consultivo do órgão, que pode sugerir os seguintes caminhos: encaminhar a liberação imediatamente o processo  ou orientar pela confecção de inventários com informações novas sobre o assunto.
O uso do chá pra fins religiosos nas áreas urbanas está prestes a completar seu primeiro centenário. As religiões ayahuasqueiras acreanas vivem seu melhor momento. Assimiladas por outras fés e reconhecidas pelas autoridades, vêem seu número de adeptos subir 10% ao ano, de acordo com registro da Revista Galileu.

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