O coletivo Desentorpecendo A Razão surgiu no primeiro semestre de 2009 a partir da compreensão de que é preciso mudar não só os marcos legais que arbitrariamente colocam na ilegalidade algumas das diversas drogas que acompanham o homem desde seus primeiros passos na Terra mas também a forma de encarmos essas substâncias. Não fazemos apologia ao uso de drogas, mas também não o identificamos com todos os males do mundo: usar drogas em excesso é um problema, mas a proibição das drogas não só não atenua essa questão como traz em si outros efeitos ainda mais danosos: violência do crime e do narcotráfico, corrupção policial e estatal, lavagem de dinheiro, criminalização da pobreza, ausência de pesquisas sérias sobre potencialidades e problemas das drogas psicoativas, ingerência do Estado na vida privada das pessoas.
Para difundir nossas idéias e atividades, além de informações e textos sobre os diversos aspectos da questão das drogas, nosso coletivo tem um blog – http://coletivodar.wordpress.com, que já conta com quase 3 mil acessos em cerca de três meses. Este é nosso primeiro boletim e tem como intenção difundir as últimas atualizações de nosso blog; contamos com sua leitura, comentários, opiniões e se possível divulgação.
Alternativas ao proibicionismo em debate
O Coletivo DAR se encontrou terça-feira (15/set) e contou com a presença do Professor de História Moderna da USP, Henrique Carneiro, autor de livros sobre história das drogas, como “Pequena enciclopédia de história das drogas e bebidas” (Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2005) e “Amores e sonhos da flora. Afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia” (São Paulo: Xamã Editora, 2002). A idéia desta reunião surgiu da vontade de organizar encontros com nomes da ala anti-proibicionista brasileira e da continuação de uma discussão ocorrida em uma das reuniões passadas, onde o tema das alternativas ao proibicionismo foi colocado em pauta.
A conversa começou com o Prof. Henrique Carneiro trazendo uma questão preliminar: a quebra de patentes farmacológicas. Esse tema trás a tona algo que está mais profundamente arraigado do que o próprio proibicionismo, que é a expropriação do conhecimento científico voltado para o lucro advindo da industria farmacêutica. Estaríamos diante de uma apropriação privada de conhecimento que não apenas segrega aqueles que podem comprar e os que não podem comprar produtos farmacológicos (seja para um cuidado de sí ligado a uma terapêutica, seja para um cuidado de si voltado para uma experiência estética), mas que também institui aqueles que podem autorizar ou não certos usos (como o psiquiatra e os anti-depressivos).
Leia aqui a matéria na íntegra.

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