“Caros editores,

Gostaria de expressar minha preocupação com o uso recorrente e em destaque dos termos “vício” e “viciado” na reportagem de capa sobre a internação do ex-jogador Walter Casagrande Jr., constante da revista Época número 518. Entre os consensos já estabelecidos pelos especialistas no que diz respeito ao abuso de substâncias psicoativas, está o fato de que a dependência é um transtorno físico, psíquico e social, devendo ser, portanto, evitado ao máximo o termo “vício”, já que este carrega conotações morais depreciativas e deturpadas, simplificando e aumentando a mistificação sobre uma questão complexa. Tal qual o termo “aidético”, oportunamente excluído da pauta de publicações sérias como a revista Época em favor da expressão “portador do vírus HIV”, espero também que os termos “vício” e ” “viciado” desapareçam da cobertura midíatica no que diz respeito à dependência de substâncias psicoativas.

Sem mais,
Atenciosamente,
Maurício Fiore
Doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp e Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP)

1 Comment

  1. Anonymous says:

    Mesmo sabendo que viciado é dado de cassino, é roleta, máquinas de pôker eletrônicas e bingos, mesmo sabendo disso, essas casas vivem cheias de usuários.
    Vamos então humanizar as palavras. Por quê?
    “Porque gado a gente marca, tange e ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente”.