O Fórum de Ciência e Cultura, a Escola de Comunicação e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ convidam para a projeção do filme “Tropa de Elite”, seguida de debate com os autores do livro Elite da Tropa (Rio de Janeiro: Objetiva, 2006)– Luiz Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel e André Batista e com o diretor do filme José Padilha.
Entrada franca.
Dia 16 de outubro, às 18,30 hs no Salão Pedro Calmon
Av. Pasteur, 250/2º. Andar
Campus da Praia Vermelha – Urca

José Padilha – Além do recente “Tropa de Elite”, foi diretor do premiado “Ônibus 174” (2002), entre outros.

Luiz Eduardo Soares é Secretário de Valorização da Vida e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu/RJ e foi Secretário Nacional de Segurança Pública de janeiro a outubro de 2003. Antropólogo e cientista político, com pós-doutorado em Filosofia Política, foi coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania no Governo do Estado do Rio de Janeiro, de janeiro de 1999 a março de 2000, além de ser professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (Rio de Janeiro). Tem 11 livros publicados, entre eles “Cabeça de Porco”, com MV Bill e Celso Athayde (Objetiva).

André Batista é capitão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Foi membro do BOPE entre 1996 e 2001. Fez o curso de aperfeiçoamento da PMERJ e se pós-graduou em Políticas Públicas e Segurança na UFF. Formou-se em Direito na PUC-RJ.

Rodrigo Pimentel foi membro da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, de 1990 a 2001. Como capitão, atuou no BOPE de 1995 a 2000. É pós-graduado em Sociologia Urbana pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Foi articulista do Jornal do Brasil e co-produtor do documentário “Ônibus 174”. É consultor de Segurança.

Mal iniciou seu percurso pelos cinemas o filme “Tropa de elite”, de José Padilha, já provocou debates da maior importância. A perplexidade do público diante de uma obra que não apresenta um final pronto, ideológico, moralizante, mas que à maneira de Brecht joga a dúvida no colo do espectador e força cada cidadão a se posicionar, a buscar fora da obra, e não dentro dela, soluções possíveis, esquenta a temperatura das polêmicas. Num primeiro momento, parece tratar-se de mais um filme sobre as condições de guerra aberta que vivemos, da convivência intolerável com o narcotráfico, dos excessos de uma polícia violenta, dos desmandos militares mesmo quando o tema da corrupção está ausente, do estado de emergência em uma cidade sob a lei do olho por olho. Não era pouco, mas a polêmica foi mais adiante. Primeiro, impôs-se o tema da pirataria, dos direitos sobre uma obra apoiada financeiramente pelo estado, das novas formas de circulação e partilha de informações. Em seguida, o tema da violência saiu da ficção cinematográfica e passou para a reação das platéias. Finalmente, evidenciou-se, a partir de cenas do filme, o papel da universidade e da elite que a freqüenta. De repente, salta aos olhos da platéia que a universidade brasileira não é convento de muros altos a abrigar com comodidade seus ocupantes como por vezes queremos crer. A universidade é parte desta sociedade com todos os seus erros e suas culpas. O conhecimento, a pesquisa, não pairam sobre nossas cabeças como auréolas. Não importa, nas imagens do filme, de onde eram os pilotis, a universidade de Tropa de Elite é a nossa universidade de elite, indiferente, na maior parte do tempo, ao chamado mundo real, resistente ao convívio com a diferença, fechada em si mesma. Neste momento em que a Universidade Federal do Rio de Janeiro discute a necessidade premente de reestruturação, todas estas questões se evidenciam como sendo também nossas questões. O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, na intenção de participar de forma mais efetiva dos debates da cidade, convida a todos para a projeção do filme Tropa de Elite seguida de encontro com os autores do livro Elite da tropa, Luiz Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel e André Batista e com o diretor José Padilha.

Coordenadores:

Beatriz Resende, Coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura (FCC)/UFRJ

Denilson Lopes, Superintendente de Difusão Cultural (FCC/UFRJ)

1 Comment

  1. crackeiro says:

    Liberação parece utopia. Mas há indícios de que alguns conseguem escapar pelo ladrão dos sistemas do mundo e suas tropas de elite e elitismos elitistas. Universidades, religiões, profissões…há escapatória? Sim, no mais profundo silêncio, dentro e fora de nós. Aí já se configura elitismo místico e um certo niilismo. Há alguma coisa no mundo que ainda não foi pensada em relação ao homem? As idéias desse filme, Bia, são boas?