VARELLA, Alexandre C. Substâncias da idolatria; as medicinas que embriagam os índios do México e Peru em histórias dos séculos XVI e XVII. 2008. 381 f. Dissertação de Mestrado – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Resumo:

Pela abordagem da história cultural, analisamos visões e políticas em torno dos costumes indígenas com psicoativos (bebidas alcoólicas, estimulantes e alucinógenos), através da leitura de tratados produzidos entre meados do século XVI e XVII no mundo hispano-americano. São histórias sobre os “antigos mexicanos e peruanos”, bem como sobre seus descendentes, nos vice-reinos da Nova Espanha e Peru. Os costumes com substâncias foram retidos como elementos essenciais da idolatria (a “falsa religião” dos índios); além de usadas em cerimônias e feitiçarias, algumas plantas e poções seriam inclusive adoradas como divindades. Dividimos os capítulos por contextos e grupos de obras/autores: (i) para o contexto geral de consolidação do império espanhol na América, analisamos o dominicano Bartolomé de las Casas e o jesuíta José de Acosta; (ii) para os tempos dos missionários mendicantes na Nova Espanha do séc. XVI, o franciscano Bernardino de Sahagún e o dominicano Diego Durán; (iii) para a época de auge da “extirpação da idolatria” no séc. XVII, os curas Hernando Ruiz de Alarcón e Jacinto de la Serna na Nova Espanha, e o jesuíta Pablo Joseph de Arriaga no Peru; (iv) analisamos o cronista indígena peruano Felipe Guaman Poma de Ayala na virada dos sécs. XVI-XVII. Outras fontes foram utilizadas, destacando-se os tratados sobre as medicinas dos índios escritos pelos doutores espanhóis Nicolas Monardes, Francisco Hernández e Juan de Cárdenas, bem como de um médico indígena mexicano, Martín de la Cruz. Os principais assuntos discutidos: os juízos de proveito das “medicinas que embriagam”; os sentidos do “vício” por meio das substâncias, entre hábito contranatural e veículo para os “pecados”; a noção de “perda do juízo” como efeito natural da embriaguez, mas que abre espaço para a intervenção demoníaca; representações dos usos nos “sacrifícios”, “comunhões” e a “idolatria” de plantas e poções. Esses assuntos são analisados tendo em vista que a idolatria não informa apenas o estereótipo e o caminho da interdição dos costumes, pois, de outro lado, nomeia os saberes e poderes locais e sua vitalidade, num ambiente de choques, negociações e acomodações político-culturais.

Palavras-chave: História da América – Religião – Medicina – Idolatria – Psicoativos

Orientador: Prof. Henrique Carneiro (História USP)

Banca: Janice Theodoro (História USP) e Ana Raquel Portugal (História UNESP).

Local: Universidade de São Paulo, sala dos professores (114), prédio da administração da FFLCH-USP.

Dia: 25/06, quarta feira

Horário: 10:00hs

Para entar em contato com o autor: alevarell@yahoo.com

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