De 11 a 14 de junho 2006 ocorrerá a 25ª Reunião Brasileira de Antropologia, na UCG e UFG, em Goiânia (Goiás).

Vários Grupos de Trabalho (GT) abordarão direta ou indiretamente a questão do consumo de substâncias psicoativas. O GT 07, “Antropologia do Corpo e da Saúde”, é onde este tema aparece com maior centralidade, incluindo aí discussões sobre o papel dos fármacos e as interevenções genéticas contemporâneas. Há apresentações individuais de membros do NEIP e simpatizantes ao núcleo, em alguns outros GTs, como: GT 11, ” Antropologia e Modernidade: os saberes e as práticas em contexto de risco”; GT 22, “Ética em pesquisa e trabalho de campo: possibilidades e dilemas”; GT 25, “Festa e Cultura; GT 26, “Fisicalismo e processos de subjetivação: saúde mental na sociedade contemporânea”; GT45, ” Religiões e percursos de saúde no Brasil de hoje: as “curas espirituais” e GT47, “Ritos da cultura popular”; e também nas Comunicações Coordenadas (CC) 10, “Estudos de categorias indígenas” e 24, “Música e identidades”.

GT 07 – “Antropologia do Corpo e da Saúde”

Coordenador(es): Cynthia A. Sarti (UNIFESP) , Jane A. Russo (UERJ)

EMENTA:
A discussão sobre corpo e saúde reveste-se atualmente de nova urgência, tanto pelo crescimento vertiginoso da indústria biotecnológica, com novas possibilidades de intervenções sobre o corpo, quanto pelo “culto ao corpo”, difundido entre camadas urbanas de maior poder aquisitivo. Tais fenômenos ocorrem em meio a um esgotamento do tradicional modelo dualista, levando as transformações nas concepções de corpo e saúde e à busca de novas terapêuticas e práticas de cuidado. Paralelamente à difusão de uma biotecnologia de ponta cada vez mais invasiva e “objetificante”, floresce uma crítica contundente à fragmentação da pessoa promovida pela biomedicina, aliada à busca de terapêuticas “holísticas”, cuja fronteira com o misticismo e a religiosidade é bastante tênue. A proposta do GT é pensar o desafio colocado por essa inquietante convivência, a partir de pesquisas etnográficas ou discussões conceituais sobre: usos contemporâneos da biotecnologia; recurso a novas práticas de saúde; valores e práticas associados ao corpo; o estatuto do corpo na antropologia; a saúde como valor; e as reconfigurações do corpo e da pessoa associadas às biotecnologias e ao surgimento das novas práticas de saúde.

PROGRAMAÇÃO:
Sessão/Ordem: 1/1
Autor: Iara Maria de Almeida Souza
Título: As promessas da clonagem terapêutica e seu avesso: a incrível história da fraude dos embriões clonados e o que ela nos diz sobre ciência e técnica

Sessão/Ordem: 1/2
Autor: Sylvie Fainzang
Título: A Antropologia Médica na França

Sessão/Ordem: 1/3
Autor: Stelio Alessandro Marras
Título: Natureza múltipla: desafios para uma Antropologia da Ciência

Sessão/Ordem: 1/4
Autor: Rodrigo Della Côrte
Título: A Composição e Decomposição do Corpo pela Genética: por uma análise da visão de mundo dos biólogos geneticistas

Sessão/Ordem: 1/5 Autor:
Marko Synésio Alves Monteiro
Título: Revendo o corpo digital: testes Gleason e ‘microarrays’ na busca por biomarcadores para o câncer de próstata

Sessão/Ordem: 1/6
Autor: Naara Lúcia de Albuquerque Luna
Título: Terapias com células-tronco: a ética e a panacéia; uma análise antropológica das implicações e representações do uso de CT adultas e de embriões.

Sessão/Ordem: 2/1
Autor: Madel Thereezinha Luz
Forma do corpo e saúde na cultura fisiculturista

Sessão/Ordem: 2/2 Autor:
Tatianna Meireles Dantas Alencar
Título: Anti-retrovirais, lipodistrofias e lipoesculturas: biotecnologias em tempos de aids crônica.
Sessão/Ordem: 2/3
Autor: Andrea Tochio de Antonio
Título: Corpo e Estética: a construção do feminino pela cirurgia plástica

Sessão/Ordem: 2/4
Autor: Maria Cleonice dos Santos
Título: Câncer de mama, Mastectomia e a Feminilidade

Sessão/Ordem: 2/5
Autor: Cristina Dias da Silva
Título: “Viver em 1a. pessoa”: uma proposta de humanização como técnica corporal

Sessão/Ordem: 2/6
Autor: Ruth Helena de Souza Britto
Título: De peito aberto: gestão cotidiana das marcas de doença

Sessão/Ordem: 3/1
Autor: Edilene Coffaci de Lima e Beatriz Caiuby Labate
Título: “Remédio da ciência” e “remédio da alma”: os usos da secreção do kambô (Phyllomedusa bicolor) nas cidades

Sessão/Ordem: 3/2
Autor: Taniele Cristina Rui
Título: Só se vive uma vez: histórias e trajetórias de usuários e ex-usuários de drogas.

Sessão/Ordem: 3/3
Autor: Reginaldo Teixeira Mendonça
Título: Cultura, consumo de medicamentos psicoativos, gênero e envelhecimento: conflitos entre sociedade de controle e autonomia

Sessão/Ordem: 3/4
Autor: Cecília Maria Silveira Chaves
Título: Antidepressivos e estilos de vida: questões para pensar o consumo

Sessão/Ordem: 3/5
Autor: Fatima Cecchetto
Título: Corpo, sexualidade e saúde entre jovens das camadas médias no Rio de Janeiro: uma análise dos usos de drogas anabolizantes e sua influência na construção social da masculinidade

Sessão/Ordem: 4/1
Autor: Fabíola Rohden
Título: Orientações e normas do campo da Sexologia no Brasil

Sessão/Ordem: 4/2
Autor: Leonardo Fabiano Sousa Malcher
Título: O corpo, a medicalização da sexualidade e a impotência sexual masculina no início do século XX: um debate acerca da implementação de um campo na medicina do Brasil.

Sessão/Ordem: 4/3
Do Diganóstico em crianças e adolescentes HIV positivos em Porto Alegre (RS)

Sessão/Ordem: 4/4
Autor: Maria Laura Recoder
Título: HIV, Tratamento médico, corpo e vida cotidiana

Sessão/Ordem: 4/5
Autor: Nicolas Viotti Título: Terapia, persona y religiosidad.
Reflexiones sobre el impacto de algunas prácticas y sensibilidades católicas emocionales entre los sectores medios de Buenos Aires

Sessão/Ordem: 4/6
Autor: Jaqueline Ferreira
Título: Reparar o Corpo: Valores e Práticas Terapêuticas da assistência humanitária

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GT 11 – Antropologia e Modernidade: os saberes e as práticas em contexto de risco

Coordenadores: Telma da Silva (UFG) e Gláucia de Oliveira da Silva (UFF)

Sessão/Ordem: 1/6
Autor: Eduardo Viana Vargas (UFMG)
Título: No rastro das drogas, novas serguranças, novos riscos: explorando a controversa difusão de objetos sócio-técnicos

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GT22 – “Ética em pesquisa e trabalho de campo: possibilidades e dilemas”

Coordenador(es): Octavio A. R. Bonet (UFJF) , Rachel Aisengart Menezes (UFRJ)

EMENTA: Desde o surgimento da antropologia, diversos antropólogos refletem sobre os desdobramentos produzidos pela investigação sobre os sujeitos e os grupos pesquisados. O tema da ética na pesquisa antropológica suscita dilemas para o antropólogo, sejam derivados de novos temas de investigação ou das críticas à sua metodologia. O GT pretende abordar os limites e as possibilidades de investigação etnográfica em áreas nas quais não há consenso sobre as formas de desenvolvimento de pesquisa, como a da saúde, sexualidade, uso de drogas ilícitas, religião, delimitação de terras indígenas, relações raciais, dentre outras. Pretende-se debater questões enfrentadas pelos pesquisadores, como a formação dos comitês de ética em pesquisa; os pedidos de autorização; as reformulações de projetos e os problemas suscitados pelo posicionamento do antropólogo na relação com os “nativos” e com profissionais que não compartilham da perspectiva antropológica. Diante de tais vicissitudes, buscamos refletir sobre os horizontes da pesquisa antropológica, seus limites e tensões, quando do contato entre diferentes “visões de mundo”.

PROGRAMAÇÃO:
Sessão/Ordem: 1/1
Autor: Janaina de Cássia Carvalho
Título: Trabalho de campo e Comitês de Ética em Pesquisa (CEP): a urgência de um debate

Sessão/Ordem: 1/2
Autor: Francilene de Aguiar Parente
Título: Antropologia e Ética: reflexões sobre uma experiência de pesquisa

Sessão/Ordem: 1/3 Autor: Edward John Baptista das Neves MacRae
Título: Dilemas enfrentados por antropólogos pesquisando sobre o uso de substâncias psicoativas

Sessão/Ordem: 1/4
Autor: Leandro de Oliveira
Título: Estratégias metodológicas e dilemas éticos na etnografia das práticas sexuais

Sessão/Ordem: 1/5
Autor: Luiz Fernando Almeida Pereira
Título: Etnografia no campo minado: trabalho de campo em favelas

Sessão/Ordem: 1/6
Autor: Maria Claudia Pereira Coelho Título: A Compreensão do Outro: ética, o lugar do “nativo” e a desnaturalização da experiência

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GT 25 – Festa e Cultura

Coordenadores: Léa Freitas Pérez (UFMG) e Roberto Motta (UFPE)

Sessão/Ordem: 2/1
Autor: Sandro Guimarães de Salles
Título: Folia de Caboclo: as festas no contexto da jurema

GT 26 – “Fisicalismo e processos de subjetivação: saúde mental na sociedade contemporânea”

Coodernadores: Marina D. Cardoso (UFScar) e Sônia Weidner Maluf (UFSC)

Sessão/Ordem:1/3
Autor: Edemlison Antunues de Campos (UFScar)
Título: A linguagem da doença em Alcoólicos Anônimos: modelo terapêutico e subjetividade na sociedade contemporânea

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GT45 – Religiões e percursos de saúde no Brasil de hoje: as “curas espirituais”

Coordenador(es): Raymundo Heraldo Maués (UFPA) , Bartolomeu Tito Figueirôa de Medeiros (UFPE)

EMENTA:
Busca-se compreender e identificar os percursos do sujeito em situação de sofrimento psíquico – em decorrência das ameaças e sintomas do sofrimento físico – que recorre às diversas instâncias de solução para os problemas que o atingem, sejam as oficiais (hospitais, clínicas de psicoterapia, aconselhamento psicológico), sejam as chamadas “instituições complementares” ou “não convencionais”: ioga, técnicas de relax, de meditação oriental, acupuntura, sistemas de fitoterapia, rituais xamânicos, sociedades ou grupos religiosos que promovem curas pela oração, por exorcismos, por rituais de libertação de diversos tipos de aflições psicossomáticas. Embora a matriz disciplinar antropológica encare a saúde e a doença como fatos sociais, as exigências da interdisciplinaridade induzem aqui a levar em conta, necessariamente, a base biológica e psicossomática dos fenômenos a serem estudados, bem como os conteúdos não apenas sócio-antropológicos, mas também psicológicos e médicos da cura. Por outro lado, esse estudo impõe igualmente a condição de se considerar práticas e contextos sociais que lhes dão origem e redes de significados dos fatos objeto da investigação.

PROGRAMAÇÃO:

Sessão/Ordem: 1/1 Autor: Fátima Regina Gomes Tavares
Título: Desatando amarras: sobre o conceito de experiência nas relações entre cura e religião

Sessão/Ordem: 1/2
Autor: MARCELO TADVALD Título: Religiosidades brasileiras e subjetividades espirituais

Sessão/Ordem: 1/3
Autor: Francisca Verônica Cavalcante
Título: Novas e velhas formas de curas espirituais

Sessão/Ordem: 1/4
Autor: Frederico Santos dos Santos
Título: A apometria como um tratamento espiritual para cura de doenças

Sessão/Ordem: 1/5
Autor: Isabel Santana de Rose
Título: Cura espiritual, biomedicina e intermedicalidade no Santo Daime

Sessão/Ordem: 1/6 Autor: Danieli Siqueira Soares
Título: Rituais De Cura Na Wicca: Sanando Feridas

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GT47 – “Ritos da cultura popular”

Coordenador(es): Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti (UFRJ) , Sérgio Ferretti (UFMA)

EMENTA:
A proposta visa dar continuidade e ampliar produtiva experiência de debates anteriores. Trata-se de tomar eventos e processos da cultura popular como rituais, ações simbólicas cuja natureza, significação e eficácia buscaremos investigar. Os objetos enfocados abrangem cerimônias de diversos tipos, espetáculos de grandeza e exuberância variada, procissões, peregrinações, festas e comemorações, expressões artísticas e mesmo práticas cotidianas. A idéia é valorizar a perspectiva etnográfica e seu desdobramento para a discussão das diferentes enfoques teóricos que definem e redefinem os temas investigados. O principal unificador do debate são as perspectivas teóricas de análises de ritual e simbolismo, com ênfase na compreensão de mecanismos simbólico, estrito senso. O leque conceitual abrange a compreensão dos rituais como processos dinâmicos integrantes de sistemas simbólicos amplos; a problematização da clássica relação entre “mito” e “rito”, “gesto” e “palavra”; o seu entendimento como formas culturais estruturadas e irredutíveis, ou ainda como atos de sociedade portadores de significativa eficácia para fazer coisas, criar sentimentos, idéias e valores e alterar estados. O ponto unificador da discussão é o desvendamento das lógicas e significações que organizam os eventos e processos culturais analisados.

PROGRAMAÇÃO:

Sessão/Ordem: 3/1
Autor: Andrea Baltazar
Título: A ‘ritualização’ do hábito noturno de assistir a telenovelas e a experiência simbólica da televisão na cultura popular brasileira.

Sessão/Ordem: 3/2
Autor: MARCOS DE ARAÚJO SILVA
Título: OS JOVENS CATÓLICOS E A CIBERCULTURA

Sessão/Ordem: 3/3 Autor: Leda Maria de Barros Guimarães
Título: Miniaturas artesanais ou rituais de memórias zipadas

Sessão/Ordem: 3/4 Autor: Renata de Castro Menezes
Título: A benção de Santo Antônio num convento do Rio de Janeiro

Sessão/Ordem: 3/5
Autor: Marcos Luciano Lopes Messeder
Título: Ritual de alcoolização e dinâmica cultural entre os Tremembé

Sessão/Ordem: 3/6
Autor: Hippolyte Brice Sogbossi
Título: Os Jeje-Nagôs na Bahia: um estudo descritivo de cerimônias funerárias em dois Terreiros de Candomblé

Comunicações Coordenadas – CC 10 – Estudos de categorias indígenas
terça 13/06 às 12:00
Autor: Laércio Fidelis Dias (Universidade de São Paulo)
Título: Por que beber até zerar?
Resumo:
Os grupos que atualmente se auto definem como Karipuna, Galibi Marworno, vivem distribuídos nas Terras Indígenas Uaçá, Juminã e Galibi de Oiapoque, município de Oiapoque, no extremo norte do Estado do Amapá. As três Terras reunidas, todas demarcadas e homologadas, formam uma extensa área contígua, com um número de habitantes pouco superior a 5000. Um fato que chama a atenção quando se observam os povos indígenas do Uaçá consumirem, caxiri ou outra bebida alcóolica qualquer, é que bebem sempre visando o fim do conteúdo, especialmente quando estão nas aldeias. Nas cidades, o limite é, freqüentemente, o dinheiro disponível no bolso. O que se pretende neste texto é justamente procurar os motivos socioculturais que orientam esse estilo de consumo. Se toda bebida é um veículo simbólico que carrega uma mensagem, que tipo de sistemas sociais o “beber até zerar” identifica, discrimina, constrói e manipula? Que relações interpessoais, normas e expectativas de comportamento estão por trás desse estilo de consumir as bebidas alcoólicas?

Comunicações Coordenadas – CC 24 – Música e Identidades
12/06, às 12:00hs
Título: “Um novo “tempo”: o papel da música nos rituais do Santo Daime e a construção da realidade místico-religiosa”
Autor: Lucas Kastrup Rehen (
mestrando em Ciências Sociais pela UERJ)
Resumo:
O objetivo deste trabalho é apresentar os principais aspectos da música na doutrina religiosa do Santo Daime – nascida na floresta amazônica na década de 30, ela vem se expandindo pelo Brasil e em mais de vinte países desde os anos 80. Abordarei as particularidades dos principais ritmos que compõem essa “doutrina musical” (marcha, valsa e mazurca) analisando também as técnicas corporais a eles associadas. A proposta do trabalho é examinar a capacidade que a música (“hinos”) e a dança (“bailado”) possuem, dentro desse contexto – no qual uma bebida de potencial psicotrópico, Ayahuasca (ou Santo Daime) é utilizada como sacramento religioso – por atuar na gênese da experiência místico-religiosa, que é afastada da realidade cotidiana e marcada por uma concepção extraordinária do tempo e do espaço. A metodologia utilizada é a observação participante em dois rituais distintos: “concentração” e “hinário” – havendo ausência de “bailado” no primeiro caso – e a realização de cinco entrevistas em profundidade, com adeptos da Igreja “Céu do Mar”, no Rio de Janeiro – primeira e maior igreja do Santo Daime localizada fora do pólo amazônico.

1 Comment

  1. Rachel says:

    Olá Bia,

    Gostaria de saber mais sobre o Daime (não sei qual dos 3 tipos de prática é predominante lá) no Oiapoque. Você poderia indicar alguma fonte ou um contato seu, mais direto?

    Atenciosamente,

    Rachel