Recomendo este documentário boliviano, no qual são entrevistados velhos conhecidos na luta antiproibicionista na Bolívia, Peru e Colômbia, como Jorge Hurtado Gumucio, diretor do Museo de la Coca, em La Paz; Baldomero Cáceres, psicólogo social e assessor da Comissão Organizadora do Fórum Internacional da Folha de Coca em abril de 2005, no Peru; Hugo Cabieses, economista e Assessor Externo do Congresso para o Desenvolvimento Alternativo no Peru, e Silvia Rivera, socióloga de La Paz.

Embora com uma estrutura um pouco truncada, com muitas indas e vindas e cenas repetidas, sem lograr o estabelecimento de uma narrativa linear sobre os vários problemas envolvidos na questão da coca/cocaína e nem explorar a fundo às várias vozes presentes no conflito, o filme vale a pena ao trazer para a tela o movimento camponês indígena marchando com suas bandeiras coloridas ecoando em coro: “que viva le coca!”, “venceremos!”, “muerte a los yankees!”. Há cenas fortes, com uma velha senhora indígena revoltada frente às tropas militares gritando: “quiero hablar con el coronel!”; ou outra, sentada no chão, com suas roupas tradicionais: “coquita es nuestra medicina, nuestra carne, nuestro té”, “no acabem con nuestra coca”. O filme termina com a eleição de Evo Morales como presidente da Bolívia, o qual aparece em várias cenas como um dos líderes do movimento cocaleiro.

Ficha técnica do filme, retirada de http://www2.uol.com.br/mostra/30/p_exib_filme_81.shtml

“Há 70 mil famílias hoje na Bolívia cujas vidas dependem exclusivamente de cultivar a ancestral folha da coca. A prática é considerada ilegal há doze anos, e os EUA monitoram a aplicação da lei exercendo pressão econômica e militar. O governo boliviano militarizou a zona de Chapare e deu início a um plano de erradicação das plantações pela força, após falhar no plano de desenvolvimento alternativo que tentou substituir a coca por outros produtos agrícolas. Os incentivos para diversificar a colheita, embora prometidos, nunca foram aplicados. O grande perigo atual é a colombização do conflito, com o surgimento de uma guerrilha para defender o direito de plantar a coca, de acordo com as tradições religiosas, médicas e sociais que deram forma à cultura da Bolívia e de países vizinhos. Resta saber quais são as razões reais para esse confronto e quais os interesses escondidos por trás dos agentes envolvidos.

diretor: Roberto Lanza

roteiro: Roberto Lanza

fotografia: Roberto Lanza

montagem: Juan Carlos Gomez Millo

música: Luzmila Carpio, Luis Rico

produtor: Donald K. Ranvaud, Robert Bevan,

produtora: Buena Onda Limited

84 minutos

color, digital

2006″

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