QUANTO VALE OU É POR QUILO? Brasil, 2005. Direção: Sérgio Bianchi. Com: Sílvio Guindane, Cláudia Mello, Herson Capri e Caco Ciocler. O filme traça um paralelo entre a sociedade brasileira atual e a da época da escravidão. Baseado em conto de Machado de Assis. 110 min. 14 anos.Cine Arte Lilian Lemmertz, 18h30. (retirado de: http://www1.uol.com.br/diversao/guiafolhasp/ci0807200507.shtml). Site do filme: http://www.quantovaleoueporquilo.com.br
Há uma cena no filme em que uma ONG dá um “extrato vegetal” de cor esverdeada para mendigos, numa referência implícita à ayahuasca. Um homem alto, de cabelos compridos loiros, com roupa branca e vestindo um colar de penas, anuncia aos pobres que eles devem “se purificar” para atigir uma “elevação espiritual”. Os mendigos bebem do líquido e, em seguida, começam a vomitar grosseiramente e a gritar, sendo então filmados por uma mulher, que está gravando tudo para mostrar aos patrocinadores do projeto. No corte seguinte, uma platéia de burguesinhos aplaude animadamente as cenas, exibidas na tela de um cinema.
O filme é construído a partir do rico argumento de há que um “mercado” em torno da pobreza no país – uma ongueira diz para outra: “sai, este pobre é meu!”. Não consegue, entretanto, vencer o tom de artificialidade e também de um certo didatismo (que se torna óbvio) ao traçar paralelos com a escravidão no país — historietas encenadas a partir de casos retirados do arquivo nacional, que são, a propósito, os melhores momentos do roteiro.
Existem dois grupos em São Paulo que dão a ayahuasca para moradores de rua. Ver referências em: Labate, B. A Reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos. Campinas, Mercado de Letras, 2004.

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