http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/12/glauco-recebe-titulo-de-cidadao-paulistano-em-homenagem-postuma.html

Para Angeli, colega faria ‘saída à francesa’ para não receber o título.
Evento na Câmara de SP também reuniu Laerte, Zé Celso e familiares.

Do G1, em São Paulo

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Angeli e Laerte, durante cerimônia póstuma que homenageou o cartunista Glauco como Cidadão PaulistanoAngeli e Laerte, durante cerimônia póstuma que
homenageou o cartunista Glauco como Cidadão
Paulistano (Foto: Gustavo Miller/G1)

O cartunista Glauco Villas Boas, assassinado em março deste ano em uma chácara na Grande São Paulo, recebeu nesta quarta-feira (1) o título de Cidadão Paulistano. A cerimônia, que teve início às 20h15, foi realizada na Câmara Municipal de São Paulo no Salão Nobre da instituição.

A entrega do título foi proposta pelos vereadores Penna (PV) e Claudio Fonseca (PPS). Estiveram presentes à cerimônia os cartunistas Angeli e Laerte, o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, o jornalista José Hamilton Ribeiro e a vereadora Soninha (PPS), além da viúva Beatriz Galvão e o filho Ipojucan.

“[O Glauco] provavelmente não se sentiria bem [com a homenagem], faria uma saída à francesa ou não aceitaria, mas é bacana esse reconhecimento”, disse o colega Angeli, que trabalhou com o cartunista desde o início da carreira no jornal “Folha de S. Paulo”.

O autor de “Chiclete com Banana” disse que, meses após a morte de Glauco, ainda custa a assimilar a perda do amigo. “Às vezes tem coisas que eu leio e tenho vontade de ligar para o Glauco, mas aí a ficha cai e penso: ‘Ele já está em outro patamar’,” explica.

Beatriz Galvão e Ipojucan, viúva e filho de Glauco,  durante cerimônia póstuma que homenageou o cartunista como Cidadão PaulistanoBeatriz Galvão e Ipojucan, viúva e filho de Glauco
(Foto: Gustavo Miller/G1)

Para Laerte, que foi à Câmara com o visual feminino que adotou recentemente, de camisa estampada, cabelo chanel, unhas pintadas e bolsa à tira-colo, “Glauco não era uma pessoa, era uma força da natureza”. O cartunista pediu desculpas por seus “problemas para falar em público”, mas lembrou com carinho das duas vezes em que tomou o chá do Santo Daime no centro espiritual que Glauco mantinha em sua chácara.

Em homenagem ao colega, o dramaturgo Zé Celso entoou um dos hinos dos daimistas antes de sua fala e disse, em tom de brincadeira, que não toma mais o chá porque é “cardíaco”. Citando o bom humor de Glauco, afirmou: “Sei que a vida é trágica, mas felizmente não é um drama, pois drama a gente supera. A vida é trágica, é engraçada e gostosa. O Glauco tinha esse espírito de sacanagem e orgia. Viva o amor e viva o humor”.

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