Caros colegas, temos o prazer de divulgar o Grupo de Trabalho ‘Cenários sociais, significados culturais e históricos do uso de substâncias psicoativas’, que se realizará em novembro deste ano na VI Reunião de Antropologia do Mercosul em Montevidéo. Os objetivos do GT e as informações sobre o envio de comunicações encontram-se no texto abaixo.
Cenários sociais, significados culturais e históricos do uso de substâncias psicoativas
GT-23 da VI RAM – Reunião de Antropologia do Mercosul
Montevidéo, Uruguay – 16, 17 e 18 de novembro de 2005

Coordenadores:
– Edward MacRae
Universidade Federal da Bahia; CETAD/REDUC/NEIP
macrae@uol.com.br
– Sandra Lucia Goulart
Doutora em Ciências Sociais; Pesquisadora do NEIP – Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (www.neip.info)
sgoular@uol.com.br

A proposta deste Grupo de Trabalho é promover um debate sobre a utilização de substâncias psicoativas a partir da ótica das Ciências Sociais. Nos baseamos em argumentos desenvolvidos por vários autores, como Howard Becker, que em estudos pioneiros sobre a Cannabis sativa destacou a idéia de uma ‘sub-cultura’ das drogas, indicando a possibilidade dos usos socialmente controlados de substâncias psicoativas. Outros estudos também inspiraram a nossa proposta, como os trabalhos de Norman Zinberg (1984) e de Jean-Paul Grund (1993), que ressaltaram a importância dos cenários socioculturais (social setting) na consolidação de padrões de consumo de psicoativos, apontando a presença de sanções sociais e rituais, além de destacarem a ação de aspectos de ordem psicológica na determinação dos efeitos destas substâncias. Todos estes estudos valorizam uma abordagem bio-psico-social das drogas, a qual nos filiamos. Eles destacam a eficácia dos controles sociais informais no consumo de psicoativos, que guardam um saber empírico dos usuários, ao contrário dos controles externos (médicos, policiais etc), meramente repressivos. Diferentes autores sustentam que os controles sociais informais sobre o consumo de psicoativos podem ser constatados tanto nos contextos chamados de ‘tradicionais’ ¾ como religiões ou sistemas xamânicos indígenas ¾ , como também naqueles de caráter profano, hedonista, estético, terapêutico, experimental etc, incluindo-se aí o uso de substâncias lícitas ou ilícitas. O GT “Cenários sociais, significados culturais e históricos do uso de substâncias psicoativas” pretende aprofundar esse debate, em última instância situando historicamente a reflexão sobre as drogas e sua normatização.

Em suma, destacaremos particularmente os seguintes pontos: 1) colocar a relevância da abordagem das Ciências Humanas na reflexão sobre as drogas, salientando os ambientes socioculturais que envolvem os seus diferentes tipos de usos; 2) discutir a importância de fatores de identidade cultural, de ordem religiosa e moral na elaboração de padrões consumo de substâncias psicoativas; 3) debater a existência de controles sociais informais no consumo de drogas lícitas ou ilícitas (álcool, maconha, tabaco, cocaína, ecstasy etc), refletindo sobre a presença de rituais, normas e sanções em diferentes contextos de usos – tradicionais ou profanos, lúdicos etc; 4) refletir sobre as implicações políticas, econômicas e sociais do regime proibicionista de drogas, abordando as conseqüências do status ilegal de diversas substâncias, como violência, criminalidade etc e discutir as alternativas ao proibicionismo; 5) colocar temas relacionados diretamente às políticas de Redução de Danos de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas (tabaco, álcool, anabolizantes, crack, drogas sintéticas etc); 6) contextualizar historicamente o debate sobre as drogas e seu consumo.

As propostas de comunicações devem ser enviadas diretamente aos coordenadores do GT por e-mail até o dia 31 de maio de 2005, com um resumo de no máximo 250 palavras incluindo título da comunicação, e-mail, vínculo institucional e titulação do autor. Maiores informações no site www.fhuce.edu.uy/antrop/congreso

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