Informe enviado pela ABORDA hoje:

“Março de 2007 – Nº 004

Educação sobre drogas suplanta modelo prevencionista.

ABORDA participou do primeiro evento da ABRAMD, que discutiu drogas e educação.

A ABRAMD (Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas) realizou seu primeiro encontro no sábado último, dia 24 de março, em uma escola municipal da cidade de São Paulo. A RoDa Brasil esteve lá, representando a ABORDA, e traz relatos quentinhos!

A primeira mesa teve Henrique Carneiro, historiador do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos), e Marcelo Araújo, médico infectologista e ex-presidente da ABORDA. Henrique falou sobre a história do uso de drogas, desenvolvendo seu argumento de que é um discurso moral que as separa de comidas e temperos. As drogas, por sua importância econômica e cultural, são importantes na definição de diversos Estados, e sua proibição determina dinâmicas de controle sobre populações; é a droga operando como dispositivo que faz funcionar dinâmicas de disciplinamento e controle.

Marcelo falou que é preciso romper com o autoritarismo, e investir na coragem, e não no medo. Falou de ingenuidade como um embotamento da percepção do real, e afirmou a inocência, entendida como uma abertura para a experiência do presente. A liberdade não termina quando começa a do outro; a partir de uma concepção de direito coletivo, a liberdade de um amplia a liberdade do outro. Diante disto, o enfrentamento da “liberdade negativa”, que emerge de uma condição de ingenuidade, não pode arrefecer o discurso autoritário; é preciso fortalecimento da capacidade de decidir dos jovens.

A terceira fala do dia foi da psicóloga Vera Placco. Disse que educação e prevenção devem ocorrer de maneira absolutamente articulada. Em dado momento, falou que devemos romper com a noção de “educação preventiva”, assumindo tão somente a noção de “educação”. Uma educação que prepare para o exercício da cidadania será preventiva por definição.

À tarde, ocorreram os grupos de trabalho, e após os grupos, a última mesa. Ana Notto falou sobre pesquisas realizadas do CEBRID que dialogam com a educação. Citou especialmente os levantamentos domiciliares e a pesquisa sobre uso de drogas entre crianças e adolescentes em situação de rua. Denunciou o descaso para com os projetos de educação social. No momento dos debates, ponderamos que educadores sociais e redutores de danos vivem um mesmo drama: a precarização do trabalho; será que isto não compromete a efetividades das ações?

Entre as mesas, foi possível conversar com pessoas importantes para a Redução de Danos. Estavam presentes Gilberta Acselrad (LPP da UERJ), e Mônica Gorgulho (Dínamo), com quem conversamos sobre o projeto para o II Seminário dos Direitos das Pessoas que Usam Drogas. Também encontramos Elizabeth Palatnik, que busca articulações teóricas entre uso de drogas e aborto. Conversamos também com Henrique Carneiro, convidado a participar de seminário sobre Educação Popular e Redução de Danos, promovido pela UAPA, de Gravataí. Ainda pudemos conversar com pessoas como Bia Labate e Edward McRae, Dartiu Xavier e Marcelo Cruz. Para todos, entregamos em mãos o folder institucional da ABORDA.

Este foi o primeiro evento da ABRAMD, e nossa presença demarca nossa posição no campo científico, ao lado de pesquisadores que percebem o fenômeno das drogas a partir de uma perspectiva que articula distintos campos do conhecimento. Isto está muito mais próximo de nós do que uma associação composta unicamente por psiquiatras, como a ABEAD. Há conservadores em todos os campos do conhecimento. O diferencial da ABRAMD está justamente na concepção de que não se pode produzir conhecimento sem articulação entre distintos sabres. Daí o lema: Ciência e Diversidade.

ESPAÇO DO MOBILIZADOR:

Participe, envie suas idéias, experiências, sugestões e críticas para nosso e-mail: rodabrasil1@yahoo.com.br

INFORMES é um boletim da Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos – ABORDA, distribuído por e-mail. Rua General Justo, 275/316-B”

1 Comment

  1. Diábia says:

    Um bom peixe altera nossa consciência. Respirar altera nossa consciência. Muitas coisas alteram nossa consciência. Envelhecer, altera. Mas a consciência dos caretas só altera quando vê avanços. É de lei lutarmos para alterar a consciência dos caretas, para o bem ou para o mal. Não a estagnação! Isso tem crase?