Ocorreu hoje o lançamento do documento “Maconha: uma visão muldisciplinar”, da Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (ABRAMD). O evento ocorreu no Auditório da Faculdade de Saúde Pública – USP. Eis a programação:

11:30 às 11:45 – Abertura pelo presidente da ABRAMD – Dr. Dartiu X. Silveira e convite para a composição da mesa com membros da ABRAMD que elaboraram o documento:
Dr. Elisaldo Carlini – médico, diretor científico da AbRAMD e coordenador do grupo multidisciplinar que elaborou o documento (carlini@psicobio.epm.br)
Dra. Lidia Rosemberg Aratangy – psicoterapeuta de família, escritora (lidia.r.aratangy@terra.com.br)
Dr. Rubens Adorno – sociólogo, professor da USP (radorno@usp.br)
Dr Edward MacRae – antropólogo, professor da UFBA (macrae@uol.com.br)

11:45 às 11:55 – apresentação do Dr. Elisaldo Carlini sobre o documento

11:55 às 12:15 – apresentação de cada um dos responsáveis pela elaboração do documento
Dr. Miguel Reale Júnior (leitura de texto pelo Dr E A Carlini)
Dra. Lidia Rosemberg Aratangy
Dr. Rubens Adorno
Dr. Edward MacRae

12:15 às 13:00 – Entrevista coletiva dos integrantes da mesa para a imprensa e resposta às questões dos participantes.

Pequeno relato

O texto da ABRAMD “Maconha: uma visão muldisciplinar” nasceu como resposta a um texto publicado pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em outubro de 2005 intitulado “Consenso sobre a Maconha”. (Leia mais a respeito aqui).

Os autores do texto da ABRAMD afirmaram no lançamento do documento que o parecer da ABP foi motivado por interesses mais ideológicos do que científicos. O texto original foi criticado por operar um reducionismo farmacológico num debate cuja natureza é eminentemente interdisciplinar.

De acordo com os membros da ABRAMD, o parecer da ABP estranhamente omitiu os reconhecidos benefícios médicos de produtos derivados da Cannabis, adotados em diversos países, em tratamento de doenças como glaucoma, AIDS, câncer e escleroses múltiplas. Para o professor Elisaldo Carlini, do CEBRID, é “anti-ético privar um doente de acesso a um tratamento que possa aliviar a sua dor”. Lembrou-se, à propósito, que o cérebro humano possui um sistema canabinóide endógeno, o que abre perspectivas importantes para a correta compreensão do uso da afamada planta.

O parecer da Associação de Psiquiatras foi criticado pelos pesquisadores da ABRAMD, ainda, por não problematizar os efeitos daninhos da legislação repressiva – que não distingue com clareza a figura do ‘usurário’ da do ‘traficante’ – sobre a saúde dos usuários. Por fim, foram destacados os problemas derivados da criminalização do usuário e as limitações da emergente justiça terapêutica. O professor Dartiu X. Silveira, do PROAD, questionou a justiça terapêutica por penalizar o dependente no caso de uma recaída – o que, segundo ele, é bastante comum em tratamentos de droga-adição.

Alguns dos palestrantes enfatizaram que “despenalização”, “descriminilização” e “legalização” são conceitos diferentes e não intercambiáveis, e que “defender o uso médico não é uma desculpa para a legalização”. Entretanto, não ficou totalmente clara a posição da ABRAMD com relação à eventual legalização do uso da Cannabis, bandeira defendida pelo Núcleo de Estudos Inderdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) – que apóia o documento da ABRAMD. Para além da defesa do uso médico, é necessário reconhecer que existem usos da Cannabis não-médicos e não problemáticos, isto é, legítimos. (Para conhecer mais sobre o anti-proibicionismo, visite o site do NEIP).

Estiveram presentes estudantes, estudiosos de diferentes áreas e jornalistas. A TV Bandeirantes afirmou que colocará no ar hoje a noite uma reportagem sobre o tema. Amanhã o site do NEIP publicará o texto integral da ABRAMD. No domingo a Dínamo vai publicar um relato e fotos do evento.

1 Comment

  1. Anonymous says:

    Oi Bia

    minha correspondencia esta bem atrasada, mas queria parabeniza-la belo excelente trabalho e clareza no registro dessa polêmica.

    bjo,
    Luiz Paulo