USO DE DROGAS: CONTROVÉRSIAS MÉDICAS E DEBATE PÚBLICO

MAURÍCIO FIORE

Editora Mercado de Letras
ISBN 978-85-7591-065-8
136 pp.
Formato 16 x 23 cms
R$ 21,00

Tendo como pressuposto que a questão das “drogas” foi, desde sua instituição nas sociedades contemporâneas, erigida sob um estatuto medicalizado, este trabalho buscou analisar o debate público atual sobre o tema, por meio de um de seus componentes fundamentais: os discursos médicos. O objeto de análise, além de uma observação geral sobre a abordagem do tema na mídia, foi um conjunto de falas e textos de médicos que ocupam cargos de direção em instituições relacionadas ao uso de “drogas” e vinculadas a duas das maiores escolas de medicina de São Paulo. Com base em alguns recortes temáticos que explicitam as principais controvérsias encontradas – como a abrangência do termo “drogas”, a conformação de uma patologia, as suas origens biológicas e as formas de classificação do prazer proporcionado pelo uso –, são analisadas algumas das grandes questões da medicina no mundo contemporâneo, como a preservação da vida e o controle dos riscos. Além disso, tomando como linha de corte uma nova forma de abordagem ao uso de “drogas” – a Redução de Danos –, são discutidas, por fim, as principais divergências que opõem os médicos pesquisados, como as diferentes ênfases nos efeitos fisiológicos das substâncias e os limites da noção de liberdade individual.

Este livro focaliza de modo inovador os discursos de dois atores centrais no processo de construção do problema social das “drogas”: a medicina e a mídia. Discutindo com cuidado e inteligência as formas e circunstâncias em que se expressam publicamente os saberes autorizados da medicina, Maurício Fiore expõe a diversidade dos posicionamentos de profissionais ligados a algumas das mais importantes instituições médicas e acadêmicas brasileiras que lidam com “drogas”. Ao mesmo tempo, realça as dificuldades para se estabelecer distinções nítidas entre os pontos de vista dos médicos no debate público sobre esse tema tão candente e ainda mal explorado pelas ciências sociais. A análise dos sentidos e usos da própria noção de “droga” mostra como as categorias médicas e as do senso comum refletem-se e reforçam-se mutuamente, com implicações que ultrapassam o mero esforço dos especialistas de se comunicar de maneira acessível ao grande público. Os médicos discorrem com desenvoltura sobre legislação e constroem argumentos que apelam a questões de responsabilidades e direitos, segundo o pressuposto de que o uso de “drogas” é, em si mesmo, indesejável e perigoso. Na raiz da dificuldade de exprimir qualquer sentido positivo sobre as “drogas”, como bem mostra o autor, reencontramos a ênfase médica na preservação da vida como valor moral a qualquer custo, revigorada pela obsessão contemporânea com o controle de riscos, que desautoriza qualquer precedência à intensidade, ao prazer e ao êxtase.

SOBRE O AUTOR
Maurício Fiore é bacharel em ciências sociais e mestre em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Também é pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). Há quase uma década dedica-se ao estudo do fenômeno do consumo de substâncias psicoativas, desde o debate científico até seus desdobramentos sociais.

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1 Comment

  1. Arco says:

    O lance das drogas parece estar sempre associado as estórias dos atalhos que conduzem a grandes caminhos, alguns deles perigosos até onde as letras do perigo em conjunto podem significar…outros trazem no máximo lerdeza e estes são os menos perigosos. A chave está na aceleração dos processos: sai processo de tudo quanto é canto, aí aparecem o médico, o juiz, o defensor público, o promotor, o ambientalista, o réu, o assistente de defesa e de acusação, o charlatão, o mestre, a sereia, o peixe-boi, o boto cor-de-rosa, mefistófeles…o usuário é o voluntário que se veste de expiador/espiador por prazer no início, e depois por outros motivos. Sem essa peça chave, o desuso seria ausência de conhecimento alquímico oculto em pedras, plantas e animais. O resto é conciliação de interesses, agora sim, nem sempre claros, ocultados e mistificados. A frente de batalha do Neip é por demais arriscada, mas esse luciferismo é salutar. A gente conta os mortos sabendo que ninguém de fato morre. Ou morre? Indicado por Bia eu compro até safra de carrapatos. Depois eu me viro com quem quer chupar meu sangue. É comprar o livro do Fiori que estou certo de ser um bom livro.