Reproduzo aqui mensagem postada pelo jornalista acreano Antonio Alves, do Alto Santo, em seu blog: http://oespiritodacoisa.blog.uol.com.br/.

“Polêmicas da floresta – Dai-me paciência”

“A direção do Hemoacre faz restrições a doadores de sangue que sejam usuários da ayahuasca (Daime, Vegetal). O jornalista Altino Machado denuncia o preconceito em seu blog. O senador Tião Viana manifesta-se pedindo à Secretaria de Saúde que retire a restrição. Registre-se que o Senador, que é católico praticante, tem demonstrado, ao longo dos anos, respeitar a tradição do uso religioso da ayahuasca. Mantém boas relações de amizade com as comunidades, especialmente com o Alto Santo, núcleo inicial do Daime, fundado pelo Mestre Irineu Serra e dirigido até hoje por sua esposa, D. Peregrina Gomes Serra.
Mas as restrições feitas pelo Hemoacre fazem parte de um preconceito arraigado em parcelas da sociedade afastadas de suas origens e desinformadas sobre a vida do povo acreano, que acontece fora dos roteiros institucionais. Quando fui presidente da Fundação de Cultura, tive que corrigir cartilhas de combate às drogas editadas pelos órgãos de segurança do Estado, que incluíam o Daime entre seus alvos. De tudo temos que suportar.
A questão é: existe justificativa científica para a restrição? O sangue de um usuário de ayahuasca pode provocar problemas para quem o recebe? Obviamente, não. Sei que não há pesquisas sobre isso –e é bom que sejam feitas- mas a história das comunidades do Daime registra, em décadas passadas, vários casos de doação de sangue sem que houvesse sido registrado qualquer problema. Um dos antigos me contou o caso de um doador de sangue que saiu do templo, durante o ritual religioso em que havia ingerido a ayahuasca, para doar sangue atendendo a um chamado de emergência. Se o receptor sentiu algum efeito da ayahuasca, não sei. Sei que não morreu.
A direção do Hemoacre, certamente, há de rever com rapidez sua posição sobre o assunto. Se os dirigentes da Saúde no estado quiserem aproveitar a oportunidade para receber esclarecimentos e aprender, com humildade, coisas que ainda não sabem, estejam à vontade para pedir.”

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