Relicário – Imagens do Sertão, por Edson Lodi (Representante das Relações Institucionais da UDV). Brasília, Editora Pedra Nova, 2010.

Video de divulgação do livro:  http://www.youtube.com/watch?v=txoexy-Gd3U

Para entrar em contato com o autor: edlodi@uol.com.br

Orelha do livro

Para entender o contexto histórico-cultural de um povo, é imprescindível conhecer mais sobre suas origens e o cenário no qual se desenvolveu. Fotografias, imagens e músicas complementam-se para ilustrar e documentar, de forma realista e instigante, essa seara protagonizada por diferentes personalidades que influenciaram – e continuam influenciando – fortemente os caminhos do povo brasileiro, seja em seu âmbito religioso, histórico ou cultural.

Nativo da cidade de Coração de Maria, na Bahia, José Gabriel da Costa migrou para Porto Velho, Rondônia, com o objetivo de trabalhar como seringueiro na Floresta Amazônica, onde reencontrou o chá hoasca (resultado do cozimento de duas plantas: um cipó, o Mariri, e as folhas de um arbusto, a Chacrona), popularmente conhecido como Vegetal. Ao comungá-lo, recordou-se de suas vidas passadas e, a partir de então, dedicou três anos para examinar essas revelações. Em 1961, já consciente de sua missão como Mestre Gabriel, começou a distribuir o chá e a doutrinar  pessoas. Dessa forma, ele iniciou sua missão espiritual e a distribuição da hoasca, a princípio de maneira informal, até recriar a o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV) no dia 22 de julho de 1961, data consagrada como a de sua fundação.

A obra Relicário – Imagens do Sertão enfatiza a importância de investigar o cenário da Amazônia das décadas de 1960 e 1970 e registrar dois acontecimentos que servem como referência a alguns aspectos de grande densidade cultural, não só ao norte e nordeste do país, mas como para todo o vasto território brasileiro: a biografia do fotógrafo lambe-lambe Cícero Alexandre Lopes, que documentou os primórdios do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e é autor da maioria das fotos de seu fundador, José Gabriel da Costa, e o uso da autêntica Música Popular Brasileira (MPB) inserido em um contexto religioso no qual diversos intérpretes – como Marinês, Trio Nordestino, Jacinto Silva e Jackson do Pandeiro – foram resgatados por Mestre Gabriel, para aproveitamento em sessões da União do Vegetal.

O livro constitui-se de duas partes distintas. Na primeira narra a aspectos da vida de Cícero Lopes em Porto Velho, capital do então Território Federal de Rondônia, após cumprir a trajetória de todo nordestino que emigrou para a Amazônia.

Ao documentar fatos e momentos por meio da fotografia, Cícero pode justamente registrar o início do processo de fundação do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e de seu fundador – José Gabriel da Costa – compondo um importante acervo iconográfico da cultura brasileira.

Na segunda parte, serão relacionados cantores como Marinês, Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva e Jota Lima ao cotidiano dos personagens abordados no livro. Na obra, esses artistas, de grande importância para a música nordestina, nortista e nacional, mas frequentemente esquecidos pela historiografia  contemporânea da MPB, ocupam lugar de destaque, mercê de forte presença de suas músicas no cotidiano da UDV em suas origens.

Em razão dessa importância e, pela música como manifestação genuína e espontânea do povo brasileiro, o livro mescla tópicos ao abordar a discografia utilizada no contexto cultural e religioso da União do Vegetal durante os anos de 1966 a 1971. Dessa forma presta sua contribuição ao resgate da identidade musical da época da fundação da UDV e que merecem ser lembrados, por sua importância nacional, cultural e antropológica.

O jornalista Edson Lodi, pesquisador e autor da obra, nasceu em Juiz de Fora (Minas Gerais) e mora em Brasília há quarenta e três anos. Tem pós-graduação em Ciências Políticas. Publicou os livros Estrela da Minha Vida (Editora Entrefolhas) e Travessia, poemas (Editora Thesaurus).

Rachel Gadelha

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