Vejam um relato da Psicotropicus (www.psicotropicus.org) sobre manifestação pela legalização regulada da cannabis, reivindicando o direito de plantar e, em seguida, uma avaliação feita sobre o ato em reunião convocada pelo MNLD – Movimento Nacional pela Legalização das Drogas (mnldrogas@yahoo.com.br)

Libertem as Plantas!

Arpoador, 8 de maio de 2005: estava cheio de carros da polícia no local que seria o mais adequado para a concentração, em frente à Praia do Diabo, no largo final entre as pedras. Então as pessoas foram se aglomerando em frente ao Posto 7 — ninguém estava a fim de ficar perto dos fardados. Alguns poucos deles vieram fuçar, mas não houve qualquer interferência, a PM nos deixou em paz. Nesse sentido, estávamos organizados.

Estavam presentes representantes de todas as organizações que apoiaram no Rio mais o pessoal do É de Lei, que veio representando a Rede Verde. Essa foi a 3a. marcha no Rio. Na 1a. em 2002, havia umas 500 pessoas, enquanto nesse domingo passado, cerca de 200 pessoas – e outras que vieram apenas para o lual. A composição desse grupo era heterogênea, havia muita gente da Zona Norte, e gente de todas as camadas sociais.

Histórico: a 1a. marcha foi organizada por uma ativista portuguesa chamada Suzana, no período de uma semana, divulgada apenas com pequenos cartazes em inglês onde estavam colados retângulos de papel de seda com a data e o local de encontro no Rio. Ocorreu num sábado e a polícia ajudou no trânsito, fechando a Visconde de Pirajá e depois a Vinicius de Morais, no trajeto até o Posto 9. Tudo transcorreu muito bem

Em 2003 a ong responsável por esse evento cannábico em nível global desde 1999, chamada Cures not Wars, nos enviou uma caixa com centenas de cartazetes. A Marcha Mundial da Maconha (Global Marijuana Marcha) é convocada para o 1o. sábado de maio, mas pode ocorrer no domingo daquele fim de semana, ou mesmo em um dia próximo dessa data. Na época, buscamos ajuda parlamentar, mas não há no Rio um político que efetivamente apóie o movimento antiproibicionista ou a legalização da maconha. Enfrentar os evangélicos que estão no poder e a moralidade reacionária da classe média não deve mesmo ser fácil. Sem apoio político e sem dinheiro, desistimos. E a marcha não ocorreu.

Em 2004 a marcha aconteceu, apesar de novamente não contarmos com apoio parlamentar, que foi retirado. Havia uma comoção no ar, por causa das mortes no Vidigal, em guerra contra a Rocinha. Achamos então melhor adiar a manifestação por 2 ou 3 meses e organizá-la melhor, mas outros grupos não-organizados decidiram levar adiante. Foi então criado o Movimento pela Legalização da Cannabis e lançado um manifesto. Muita repercussão na mídia e pouca gente, as pessoas ficaram espalhadas, a maioria com medo, olhando de longe. Mas foi positivo, é sempre positivo, política se aprende assim, e o Centro de Mídia Independente também fez um vídeo muito bom.

Voltando a 2005: A marcha seguiu do Posto 7 ao Posto 9, onde parte das pessoas desceu na areia para dançar reggae — por sorte tinha algum som, pois o DJ confirmado não apareceu. No trajeto as pessoas entoavam palavras de ordem ou cantavam que eram “maconheir@s com muito orgulho e amor”. Essa afirmação, embora criticada por muitos, soa como um grito calado na garganta contra um sistema sempre pronto a marginalizar, discriminar e prender quem aprecia a maconha.

Palavras de ordem (um aspecto um tanto fraco):
chega de mortes, chega de prisão, queremos já a legalização!
1,2,3,4,5 mil ou paramos a matança ou perdemos o Brasil!
legalize já, a cannabis para plantar!
ô deputado, toma vergonha, legaliza a maconha!

Depois do som, a praia continuou cheia e houve confraternização e articulação entre os grupos e pessoas. Como se fosse uma grande reunião de trabalho, com uma pesquisa em andamento, abaixo-assinados, distribuição de impressos e muita troca de informação.

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DCE da UFRJ, 12/05/2005: Ontem houve uma reunião convocada pelo MNLD onde foi feita uma avaliação da manifestação.

Foram questionados: local (fazer a próxima no centro da cidade?); dia (próximo ano será no sábado); palavras de ordem (divulgar com antecedência e distribuir cópias na concentração); divulgação (um outdoor convocando para a marcha, por exemplo); a questão de obter verbas para uma produção e divulgação maiores; a questão de saber lidar com um número maior de manifestantes; a inserção em outros movimentos sociais (havia um membro do Arco-Íris presente).

Ao contrário das duas primeiras, quando compareceu em massa e espontaneamente, dessa vez a mídia comercial não apareceu, exceção do jornal O Dia que publicou uma matéria imprecisa, mas com uma foto muito boa. Mas havia outras mídias. Como das outras vezes, não foi feito qualquer contato prévio com a mídia, envio de press release. É um ponto a considerar no ano que vem.

A organização em Nova York já está fazendo a inscrição das cidades para o ano que vem, e decidimos inscrever o Rio. Para inscrever sua cidade basta enviar um email para Eco Man (tents444@yahoo.com) — com nome e um email para contato. Diga qual é a cidade e que vai participar.

Concluindo: o evento foi bastante positivo pois proporcionou o fortalecimento da rede carioca em pró da legalização da cannabis e da rede nacional. Temos certeza de que esse movimento não vai parar até que a razão suplante a irracionalidade que cerca o consumo de drogas, como reivindica a juíza Karam e diversos outros ilustres brasileiros. Uma irracionalidade que é ainda maior no caso da maconha, que muitos não consideram uma droga.

Núcleo de Comunicação Psicotropicus

Vejam uma matéria sobre a marcha no RJ em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue//2005/05/316686.shtml

Para entrar em contato com Luiz Paulo Guanabara, da Pisoctropicus: luiz@psicotropicus.org

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