Segue o relato de Dênis Petuco (dpetuco@yahoo.com.br), estudante de ciências sociais da UFGS e redutor de danos.
Amigos:

Dia 8 de maio, em Porto Alegre, demos o primeiro passo para a efetiva construção do movimento antiproibicionista em nível local. Em uma tarde fria e chuvosa, reunimos, no auditório do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (DCE – UFRGS), cerca de 70 pessoas, em sua grande maioria jovens em torno dos vinte anos de idade. O número superou todas as espectativas dos organizadores, em face da precária divulgação, feita basicamente através da internet, e de meia dúzia de cartazes.

A reunião foi iniciada às 15:30 horas, com um breve relato da situação do movimento antiproibicionista em nível nacional e internacional. Logo em seguida, abriu-se a palavra. Por ser o primeiro encontro, não houve uma pauta definida, e o debate girou em torno de várias das questões relacionadas às problemáticas vivenciadas pelos usuários de drogas, em face política proibicionista: violência; agressão às liberdades individuais; precariedade e desrespeito nos serviços de saúde, assistência e educação; ausência de um controle de qualidade das substâncias consumidas; quase inexistência de orientação de qualidade, voltada ao usuário, sobre os meios de como reduzir riscos e danos.

Discutiu-se também diferentes visões acerca dos modos de se levar o movimento antiproibicionista. A bandeira deve ser legalização ou descriminalização? Usaremos a grande imprensa, ou a imprensa alternativa? Deve-se lutar para que a produção e comercialização fique vinculada às assim chamadas “redes de economia solidária”, ou aceitar a lógica de mercado neoliberal? Deve-se legalizar apenas o consumo e plantio para uso pessoal? E assim seguiu-se o debate, livre, fazendo deste primeiro encontro, antes de mais nada, um momento de verificação das pautas de debate que nos acompanharão nos próximos meses.

Ao final do encontro, para que não houvesse uma dispersão de toda esta energia, discutimos estratégias e direcionamos esforços no sentido de garantir a continuidade do movimento. Estabelecemos algumas comissões de trabalho para discutir a elaboração de uma carta de princípios, para buscar financiamento, para elaborar um site e toda a parte visual do movimento. Também foi criada uma comissão jurídica, composta principalmente por estudantes do curso de Direito, resposnável por verificar tanto a lei de entorpecentes, quanto aspectos que possam garantir que nossa luta não se confundsa com apologia ao uso de drogas, considerada crime. Aliás, a composição da plenária mostrou-se absolutamente eterogênea: estudantes de Direito, de Ciência Sociais, Biologia, Contabilidade, Psicologia, Artes, Pedagogia, além de estudantes secundaristas, pessoas ligadas à Escola de Saúde Pública de Porto Alegre, e muitas, muitas outras pessoas.

As comissões devem apressar os trabalhos específicos, mantendo contato atráves de um e-group que será criado com as pessoas que estavam presentes neste primeiro encontro. Daqui a um mês, faremos um segundo encontro, que deverá contar com um palstrante a ser definido durantes nossas conversas virtuais durante o período. Também realizaremos uma primeira exibição de um do documentário que está sendo produzidos por estudantes do curso de Jornalismo da federal gaúcha, que registrou o encontro, além de colher alguns depoimentos de pessoas presentes.

Sinto que começamos com chave de ouro.

Saudações antiproibicionistas
Dênis Roberto da Silva Petuco

1 Comment

  1. Anonymous says:

    ow é isso aí irmãos estamos precisando de iniciativas como esta, para acabar com essa miséria, violência, repressão, racismo, corrupção e etc.

    Temos que expalhar estes debates a todas as grandes capitais do Brasil