No dia 19 de setembro de 2008, das 12:20hs as 13:50hs ocorrerá a exibição de dois painéis de pesquisa sobre aspectos microbiológicos da ayahuasca, no X Congresso Internacional de Etnofarmacologia.

Local: Centro de Convenções Frei Caneca
Rua Frei Caneca 569 – 5º piso
Consolação
São Paulo – SP

Mais informações sobre o evento aqui.

Para entrar em contato com Denizar Missawa Camurça, um dos autores: denizar@renarg.org

Veja os resumos integrais:

Análise microbiológica de amostras de Ayahuasca utilizadas em rituais religiosos

Zitei, V.1; Camurça, D. M.2; Tiusso, S. P. P.3; Rocha, N. F. C.4

1 – Universidade Guarulhos – Graduando em Farmácia; 2 – UnG – Laboratório de Biociências; 3 – UnG – Docente de Botânica; 4 – UnG – Docente de Microbiologia

A ayahuasca é um chá obtido, através da decocção de duas espécies vegetais o cipó da família Malpighiaceae, Banisteriopsis caapi (Spruce ex Griseb.) C.V. Morton, que contém derivados beta-carbolínicos; e um arbusto da família Rubiaceae, Psychotria viridis Ruíz & Pavón , esta possui um derivado triptamínico. Este chá é utilizado em um contexto ritualístico por povos indígenas da bacia amazônica. No Brasil o contato das populações não-indígenas com a ayahuasca resultou em religiões que fazem uso do chá em seus rituais regulamentados através da resolução nº 4 do CONAD de 4 de novembro de 2004. Para se evidenciar a qualidade microbiológica da Ayahuasca, foram utilizadas cinco amostras do chá. A análise microbiológica do chá foi embasada na Resolução – RDC 12 de dois de janeiro de 2001, onde esta exige a contagem de coliformes a 45ºC/g e de Salmonella sp./25g. Para a análise de coliformes realizou-se o método de tubos múltiplos. Inoculando-se 1 mL de cada amostra. O caldo lactose e BVB foram incubados a 37º/24-48h, e o caldo EC foi incubado à 44º/24-48h em banho maria. Para a análise de Salmonella utilizou enriquecimento em caldo Rappaport 33,5º/24h em banho maria, e identificação em ágar VB em estufa à 37°C/24h. O crescimento de colônias vermelhas presume a presença de Salmonella. A confirmação se deu em semeadura nos meios EPM-Mili incubando-se em estufa à 37º/24h. O resultado obtido foi o negativo para coliforme e Salmonella para todas as amostras, sendo que a amostra 1 encontrou-se Yersinia enterocolitica. De acordo com o resultado, as amostras encontram-se dentro dos parâmetros legais para consumo, apesar da presença Yersinia enterocolitica.

Análise microbiológica de caráter informativo indicando a presença de bactérias mesófilas em amostras de ayahuasca.

Zitei, V.1; Camurça, D. M.2; Tiusso, S. P. P.3; Rocha, N. F. C.4

1 – Universidade Guarulhos – Graduando em Farmácia; 2 – UnG – Laboratório de Biociências; 3 – UnG – Docente de Botânica; 4 – UnG – Docente de Microbiologia

Ayahuasca que, na língua quéchua, significa segundo Luna (1986) “cipó das almas” (aya: pessoa morta, alma, espírito e waska: corda, liana, cipó), é o termo mais empregado para denominar uma bebida largamente utilizada por tribos indígenas da Bacia Amazônica e tem utilização religiosa em todo o território nacional por populações não indígenas, regulamentada pelo SENAD em 2004. É preparada a partir da decocção de 2 plantas de origem amazônica: o cipó Banisteriopsis caapi Morton e o arbusto Psychotria viridis Ruíz & Pavón quem contém alcalóides B-carbolínicos e triptamínicos respectivamente. Com o objetivo da análise de caráter informativo indicando a presença de Staphylococcus aureus e bactérias mesófilas, realizou-se um ensaio informativo do chá de Ayahuasca de 5 amostras obtido em decocto. No ensaio pesquisou-se bactérias mesófilas e Staphylococcus aureus. A análise das bactérias mesófilas se deu pelo método de “Pour Plate”, cultura em ágar PCA, as amostras foram diluídas em três concentrações: 10-1, 10-2,10-3, dispensando 0,1 mL de cada diluição e incubado em estufa por 24 h à 37°C, realizando-se a contagem das colônias bacterianas. Para análise de Staphylococcus aureus enriqueceu-se a amostra no caldo TSB e posterior inoculação no ágar DNase, incubando-se em estufa por 24h à 37°C. De acordo com o crescimento no ágar DNase a leitura se da através da revelação com HCl 1N verificando-se da presença do halo translúcido, confirmando a presença de Staphylococcus aureus. Em relação às bactérias mesófilas verificou-se a incidência de: Amostra 1 – 51×10-4 UFC; amostra 2 – 43,4×10-1 UFC; amostra 3 – 22×10-1 UFC; amostra 4 – 30,4×10-3 UFC e amostra 5 – não houve crescimento. Para Staphylococcus aureus o resultado foi negativo para todas as amostras. Devido a ausência de Staphylococcus aureus, presume-se não haver contato manual direto com o material, sendo S. aureus bactérias da microbiota normal humana . De acordo com a média obtida de bactérias mesófilas, não há parâmetros para comparação.

Comments are closed.