VI Reunión de Antropología Del Mercosur (RAM): identidad, fragmentación y diversidad
Montevidéo, Uruguay – 16, 17 e 18 de novembro de 2005 –

Área 10- Drogas: Significados Culturales
Grupo de Trabalho – 23 –

“Cenários sociais, significados culturais e históricos do uso de substâncias psicoativas”

Coordenadores:
– Edward MacRae.
Prof. Doutor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – CETAD (Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas da UFBA); NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos), Brasil.
macrae@uol.com.br
– Sandra Lucia Goulart.
Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); Pesquisadora do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos), Brasil.
sgoular@uol.com.br

. Sessão Temática 1: Cenários Religiosos e Xamânicos do Uso de Psicoativos.

Expositores:

GT 23/ 1 -“Magia y medicina en el área andina”

– Marco Antonio Valdovinos e Elizabeth Millán Hernández.
Pasantes de la licenciatura en Etnohistoria.
Escuela Nacional de Antropologia e Historia, Cuicuilco, México, D.F.

Resumo:
Este trabajo analizará el papel que desempeñan dentro de la religión y la medicina andinas algunos alucinógenos, pues es característico de esta zona el uso de dichas sustancias en rituales tanto de inciación como de adivinación, de cura o de oferenda. En la sociedad prehispánica, la religión y la medicina estaban estrechamente relacionadas.

GT 23/ 2 – “Expansão e transformações das religiões ayahuasqueiras do Brasil”

– Sandra Lucia Goulart.
Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brasil; Mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), Brasil.
Pesquisadora do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos).

Resumo:
Esta comunicação aborda o caso de cultos centrados no uso de uma bebida psicoativa conhecida pelos nomes de daime, vegetal e ayahuasca. Trata-se das religiões ayahuasqueiras brasileiras, surgidas na Amazônia. Procurarei mostrar que o movimento de legitimação destes cultos se relaciona ao debate sobre o consumo de drogas no mundo contemporâneo. Observamos que, por um lado, os diferentes grupos deste campo religioso são associados, pela opinião pública, ao uso de substâncias psicoativas ilegais ou condenadas socialmente. Por outro lado, no contexto específico do Brasil, eles legitimam seu espaço ao equipararem a bebida utilizada em seus rituais a um sacramento, diferenciando-a de uma droga. Contudo, o movimento de expansão destas religiões, inclusive para o exterior, implica em novos fatos. Há o surgimento de um “turismo” esotérico, marcado por estrangeiros que constantemente visitam as comunidades brasileiras destas religiões. Simultaneamente, no exterior os cultos ayahuasqueiros podem aparecer, por exemplo, como responsáveis por um conhecimento tradicional e pela preservação de recursos naturais amazônicos, e a bebida consumida em seus rituais passa de sacramento religioso a produto fitoterápico, cuja gestão envolve questões de bioética. Em minha comunicação, pretendo aprofundar a reflexão sobre esse conjunto de fatos, mostrando que as disputas internas do campo religioso ayahuasqueiro ligam-se a questões políticas, jurídicas e legais da sociedade mais abrangente.

GT 23/ 3 – “Uma analise sobre aspectos Espíritas e Umbandistas nos rituais com Ayahuasca”

– Luzia Rodrigues Mentz.
Bacharel em Ciências Sociais – Antropologia Visual em Alagoas (AVAL), Universidade Federal de Alagoas – UFAL – Brasil.

Resumo:Através deste trabalho pretendo descrever dados autobiográficos sobre experiências com o uso da Ayahuasca no ritual do Santo Daime, Essência Divina e UDV (União do Vegetal). Será abordado como nesses social settings existe uma linguagem espiritualista compartilhada que se relaciona com práticas ritualísticas. A partir da comparação de experiências que vivenciei em rituais dentro de religiões Afro-brasileira e Espírita, argumento que o uso do enteógeno Ayahuasca proporciona ou possibilita uma grande força que também pode ser entendida ou vivenciada dentro de uma linguagem Umbandista e Espírita.
Venho desenvolvendo pesquisa de campo através do laboratório de Antropologia Visual (AVAL) onde dados etnográficos videográficos vêm sendo gravados sobre o uso do Ayahuasca em Alagoas. Além do levantamento e montagem de banco de dados, o AVAL tem como objetivo a utilização do registro visual enquanto recurso metodológico para desenvolvimento de pesquisas etnográficas. O registro de imagens possibilita abordagens detalhadas e realistas, evidenciando temáticas estudadas. Pretendo descrever dados etnográficos fílmicos (Mini-DV), tomando como base minhas próprias experiências e considerando depoimentos gravados durante pesquisa de campo.

GT 23/ 4 – “Fronteiras entre espiritualidade e terapia: algumas reflexões sobre o uso terapêutico da ayahuasca”.

– Isabel de Rose.
Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil.
Pesquisadora do LEVIS (Laboratório de Estudo de Violências) – Depto. de Antropologia da UFSC.

Resumo:
A disseminação do Santo Daime para além da região amazônica coloca a questão do relacionamento desse movimento religioso com a sociedade mais ampla. Um dos impactos desta disseminação é a inserção da utilização da ayahuasca na discussão contemporânea sobre o tema das “drogas”. Esta inserção tem implicações importantes no âmbito deste campo religioso. Uma delas foi a inclusão da ayahuasca na lista de substâncias proscritas pela lei durante um período. Embora o uso ritual da ayahuasca esteja atualmente legalizado no Brasil, o uso terapêutico não tem este mesmo status. Apesar disso, este uso vem se disseminando rapidamente. Esta disseminação está ligada à presença cada vez maior de profissionais da área da saúde no Santo Daime. Uma das conseqüências da inserção destes profissionais é a valorização da psicoterapia no âmbito da doutrina daimista. Nesta comunicação, a partir de uma breve descrição da psicoterapia com ayahuasca que vem sendo desenvolvida por alguns profissionais da área da saúde que participam do Céu da Mantiqueira, pretendo levantar principalmente duas questões: a disseminação da utilização terapêutica da ayahuasca no Brasil e a pertinência da separação que costuma ser realizada entre os usos desta bebida definidos como “rituais” e como “terapêuticos”.

GT 23/ 5 – “Processos de conversão em uma religião ayahuasqueira da Amazônia Brasileira: a Barquinha”

– Wladimyr Sena Araújo.
Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Mestre em Antropologia Social pela Unicamp, Brasil.
Prof. de História da Uninorte, Rio Branco, Acre.
Correspondente do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos).

Resumo:
Em 1945, Daniel Pereira de Mattos, oriundo de São Luís do Maranhão, fundou uma religião que conhecida popularmente nos dias atuais como Barquinha. O primeiro desses espaços religiosos foi reconhecido oficialmente como Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz.
Após a criação deste, houveram vários desmembramentos, ocasionando a formação de vários Centros, dentre os quais destacamos o Centro Espírita Luz, Amor e Caridade, fundado em 1967 pelo casal Juarez Xavier e Maria Rosa Xavier.
Ao longo de vários anos, ambos os espaços sagrados passaram a ter mais adeptos participando de seus rituais, muitos deles chegando ao fardamento e a adesão das normas propostas pela doutrina. Neste sentido, o objetivo deste trabalho será o de verificar quais os motivos que levaram as pessoas a aderir ao chamado “culto santo” e como o Daime (ayahuasca), enquanto substância enteogênica, pode ser considerado como o elemento central neste processo de conversão.

. Sessão Temática 2: Representações Sociais e Processos Identitários do Consumo de Psicoativos – Usos Profanos e Lúdicos.

Expositores:

GT 23/ 6- “Maconheiros e tabagistas – novos processos disjuntivos na cultura dos fumantes”

– Bruno César Cavalcanti.
Prof. Doutor em Antropologia – Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Brasil.

Resumo:
Esta comunicação pretende discutir aspectos sociológicos do contexto atual de marginalização do rito tabagista, comparativamente às formas do consumo urbano de maconha, Cannabis sativa. Por outro lado, busca expor elementos preliminares de um estudo sobre esses fumantes (maconhistas e tabagistas) e os novos tomadores, inaladores e engolidores de cápsulas, comprimidos e aditivos líquidos do mercado de psicoativos industriais, lícitos e ilícitos; com o fito de observarmos emergências ou rupturas culturais, quer em modelos de uso e de expressividade grupal desses atores, quer nas formas de representação social e controle sobre a ingestão desses produtos e substâncias.

GT 23/ 7 – “El cultivo de cannabis en Córdoba”

– Christian Gebauer.
Museo de Antropología – Universidad Nacional de Córdoba – Argentina.

Resumo:
Parte esencial, junto a la música, los accesorios, la hemp industry y los variados simbolismos y elementos ideológicos presentes en lo que suele denominarse “la cultura del cannabis”, o “cultura cannábica”, el cultivo de esta planta es un elemento clave para la comprensión del fenómeno. La etnografia, siempre atenta a contextualizar las nociones de los agentes, permite visualizar la articulación entre ilegalidad, psicoactividad y cultivo doméstico, la que adquiere una configuración sui generis. En el autocultivo con fines psicoactivos, los únicos observados en esta región, se incrustan prácticas típicas de la jardinería y del mundo de los hobbies, tácticas de ocultamiento y divertimento, así como desarrollos específicos y selectivos tendientes a incrementar el rendimiento. El fenómeno del “cannabis gourmet” originado en función de éste último factor marca, tal vez, el principal elemento de distinción existente en el mundo del cannabis. El mismo se haya también relacionado con el flujo de conceptos, técnicas y aparatos desde los países centrales hacia las regiones periféricas, trayecto internacional al cual no escapa la cultura del cannabis.

GT 23/ 8 – “À Flor da Pele’: o uso do ecstasy na contemporaneidade”.
– Gabriela B. da Costa Pinto.
Psicóloga Clínica.
PUC- RJ, Brasil; Especialista em Assistência ao Uso de Drogas – IPUB- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisadora do Programa de Estudos e Assistência ao uso indevido de drogas – PROJAD/IPUB/UFRJ; Psicóloga do Setor de Avaliação Clínica do DEPRID/CEAD/RJ.

Resumo:
O interesse por este estudo partiu do questionamento sobre os motivos pelos quais os jovens da atualidade se encontram em busca das sensações causadas por uma droga sintética específica, o ecstasy: qual seria a relação existente entre as particularidades do ecstasy e os períodos modernos e pós-modernos? Além do uso do ecstasy, a festa rave, ambiente no qual se faz comumente o uso desse produto, também chama a atenção em função de suas particularidades: sua música, seu público, sua decoração, sua duração. Em função dos fatores históricos, somados ao efeito da substância, o ecstasy tornou-se a droga mais comum nos ambientes de música eletrônica. Esta nova cultura, formada principalmente por jovens de classe média alta, pode ser chamada de rave, clubber, dance.
A metodologia escolhida foi qualitativa, sendo realizado uma etnografia, através de estudo de caso e de entrevistas semi-estruturadas. Foram realizadas cinco entrevistas com freqüentadores de ambientes de música eletrônica, que utilizam ou já utilizaram o ecstasy, e uma observação de campo em uma festa de música eletrônica. A partir da análise do conteúdo das entrevistas foram estabelecidas cinco categorias: sensibilidade ampliada, sociabilidade, “controle interno”, “controle externo”, função hipnótica da música.
Entre os reconhecimentos possíveis o aumento exacerbado da sensibilidade foi a característica mais “apreciada” e “procurada” pelos entrevistados. Ressaltou-se também o ecstasy apresentar-se como uma droga “conciliatória”, permitindo a ampliação da sensação da sensibilidade, tanto quanto preservando a lucidez, não excluindo, portanto, o sujeito que a usa para a sua inserção social.

GT 23/ 9- “O uso do corpo nos festivais de música eletrônica”

– Tiago Coutinho Cavalcante.
Mestrando do PPGSA/IFCS/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil.
Correspondente do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos).

Resumo:
O setting proposto neste estudo é o dos grandes festivais de música eletrônica, as chamadas festas rave. Neste contexto encontramos alguns elementos com forte carga simbólica que resultariam num específico tipo de performance onde a busca de êxtase é considerada o principal objetivo comum. Através do relacionamento de fatores como: estímulos sensoriais, performance e consumo de substâncias psicoativas, os espectadores experimentariam algumas sensações que os induziriam a este estado particular. Entre os signos oferecidos pelos festivais de música eletrônica, encontra-se uma particular manipulação do corpo, principal veículo de comunicação. É onde os signos incidem diretamente e a eficácia simbólica deste rito urbano está baseada. A busca pelo êxtase deve passar necessariamente pelo corpo através de três formas distintas: alterando seu metabolismo através da intoxicação, por movimentos repetitivos e cadenciados, ou ainda através do “jogo de sentidos” que se estabelece.

GT 23/ 10- “Nuevas formas de comunicación juveniles. La escena techno montevideana”

– Gabriel de Souza.
Bacharel em Antropología Social; Antropología de la música.
Facultad de Huidades y Ciencias de la Educación (FHCE) – Montevideo, Uruguay.

Resumo:

El trabajo encara un sector joven que se apropia y resignifica nuevos espacios sociales y materiales. La investigación atiende a la escena festiva nocturna montevideana relacionada con el género musical techno. Se trata de profundizar en la comunicación emocional intensa generada en la pista de baile, y los diálogos gestuales que generan contraseñas de identificación de los participantes.
La comunicación en la escena festiva se manifiesta a través del cuerpo en sentido amplio. En estos escenarios donde lo afectivo es vivificado a través de los cuerpos en comunicación gestual, están casi fuera de juego las apreciaciones verbales y el orden racional de lo lógico.
Dichas prácticas y los estilos de vida que estos espacios desarrollan forman parte de un ethos con claras intenciones de cambiar el orden simbólico vigente, planteando de manera completamente radical la cuestión de los fundamentos de dicho orden y de las condiciones de una completa movilización underground para lograr subvertirlo.
La resignificación de estos procesos culturales globales por parte de los jóvenes en Montevideo, es lo que nos permite acceder a nuevos bienes simbólicos desarrollados por parte de nuevos y poco conocidos grupos, que son agentes activos en las transformaciones de nuestra sociedad.

. Sessão Temática 3: Usos Lícitos e Ilícitos de Psicoativos: Questões de Redução de Danos.

Expositores:

GT 23/ 11 – “De lata y lateros: usuarios de PBC y sus mundos de sentido”.

– Leticia Folgar.
Docente e investigadora del Instituto de Antropología de la Facultad de Humanides y Ciencias de la Educación de la Universidad de la República. (Montevideo,Uruguay).
Pesquisadora de la equipo de investigación-acción en drogas Alter-accionesdel Instituto de Educación Popular El Abrojo.

Resumo:
Se trata de una investigación de tipo piloto que utiliza el método etnográfico y tiene como objetivo el observatorio de la dinámica de las identidades sociales vinculadas al uso de drogas en un contexto específico de implementación de un proyecto de RRDD (Reducción de Riesgos y Daños). La comunidad de referencia del proyecto, Misiones, constituye hoy en la ciudad de Montevideo un “ghetto” urbano, marcado por la “exclusión social”. Las representaciones y percepciones sobre “lo problemático” del uso de PBC; la gestión de sus respectivas situaciones de consumo, las estrategias ante la emergencia/crisis; y los cambios en su percepción identitaria como consumidores han sido ejes de nuestra indagación en Misiones.
Los resultados que presentaremos dan cuenta de las características diferenciadas y relaciones particulares entre los consumidores de PBC en este contexto específico. A partir de este estudio de caso se intentará comenzar a responder preguntas que entendemos significativas a la hora de pensar intervenciones a la medida de poblaciones que comparten ciertas características socio-culturales. ¿Cuáles serían las motivaciones para el cambio en este perfil de usuario?, ¿Qué tenemos para aprender de las “soluciones” que ellos mismos encuentran a los usos problemáticos?

GT 23/ 12- “Uso de drogas e adesão ao tratamento anti-retroviral: micro-realidades em questão”

– Flávia Costa da Silva.
Graduanda em Ciências Sociais -Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Rio Grande do Sul, Brasil.

Resumo:
Com o advento da AIDS, a questão do uso de drogas reivindica outros olhares, pois, mitos tem contribuído para a expansão da epidemia pelo uso de drogas injetáveis e para a não adesão ao tratamento anti-retroviral por parte de pessoas portadoras do HIV que fazem uso de alguma substância psicoativa lícita ou ilícita.
Diante deste contexto, busco perceber as diferentes concepções sobre Aids, Uso de drogas e Adesão ao tratamento anti-retroviral das pessoas que vivem com HIV/Aids e que fazem uso de alguma droga lícita ou ilícita além do coquetel que neste caso categoriza-se como droga medicamentosa.
A metodologia que está sendo utilizada é a observação participante no grupo de pessoas que vivem com HIV/Aids do hospital referência para tratamento em HIV/Aids, e também entrevistas semi-estruturadas.
A realização deste estudo tem apontado dados, os quais requerem diálogo interdisciplinar visando contribuir no processo de construção de conhecimento seja para fins científicos, seja para elaboração de políticas públicas mais condizente com as micro-realidades envolvidas nas questões referentes ao uso de drogas, Aids e adesão ao tratamento.
Dessa forma, é possível pensar que as subjetividades envolvidas com as questões de HIV/Aids e uso de drogas solicitam espaço nas agendas governamentais e científicas no sentido de serem contempladas as diversidades culturais que permeiam as sociedades e que nem sempre são valorizadas pelos saberes que tem pensado a epidemia até então.

GT 23/ 13 -“Uso de drogas, HIV/Aids e Redução de Danos: um estudo sobre representações sociais”.

– Carlos Alberto Azambuja Jr.
Graduando em Ciências Sociais – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.

Resumo:
O uso de drogas ou substâncias psicoativas é fato recorrente na história da humanidade há milênios. Atualmente, a questão do consumo de drogas arbitrariamente consideradas ilegais, é discutida no campo da Saúde Pública e da Educação. Tais discussões são norteadas, predominantemente, pela lógica jurídico-policial da condenação do uso e de sua repressão sistemática. Esse fato ganha contornos ainda piores quando, com o advento da epidemia de HIV/aids, o uso de drogas injetáveis passa a desempenhar papel importante enquanto categoria de exposição à infecção.
O presente trabalho consiste em uma análise etnográfica das representações sociais sobre o uso de substâncias psicoativas, o HIV/aids e a Redução de Danos de integrantes do Programa de Redução de Danos da Secretaria de Saúde de Santa Maria e de alguns usuários por ele acessados.
Nesse sentido, o objetivo foi o de apreender as lógicas que orientam as práticas relativas a interface do uso de drogas injetáveis e a epidemia de HIV/aids, a fim de apontar aproximações e distanciamentos entre as representações da redução de danos e dos usuários e, a relação dessas com a perspectiva biomédica.
A metodologia utilizada na pesquisa foi a qualitativa por privilegiar o trabalho de campo intensivo e a observação in loco.
Entre aproximações e distanciamentos foi possível concluir que as ações de redução de danos constituem-se enquanto alternativas viáveis de intervenção no contexto de desenvolvimento da epidemia de HIV/aids.

GT 23/ 14 – “Consumo legal, moral y médico de un opiáceo: el caso de la terapia con metadona”

– Christian Frenopoulo.
M.A. University of Regina, Canadá.
Correspondente do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos).

Resumo:
La presentación hace un análisis con respecto a un caso de consumo de drogas que es apoyado por el Estado e institucionalmente implantado como una práctica médica. La contextualización biomédica secular, institucional y legalmente documentado del consumo de la sustancia invita a pensar sobre la moralización del consumo de drogas y el papel del Estado como legitimador y regulador de los procedimientos y rituales para su consumo. La presentación se centra en un estudio etnográfico de una clínica de terapia con metadona que funciona en la ciudad de Regina en Canadá. La metadona es un opiáceo que es administrado a los pacientes (clientes) bajo supervisión médica y en condiciones estrictas de consumo para sustituir el consumo de opiáceos ilegales a los cuales son adictos los clientes. La presentación analiza los marcos con los cuales el consumo y administración de metadona es construída dentro de la clínica como un procedimiento médico moralmente aceptable.

GT 23/ 15- “A construção científica do lícito”.

– Stelio Marras.
Doutorando em Antropologia Social pela USP (Universidade de São Paulo), Brasil.

Resumo:
A elaboração e as vicissitudes da produção laboratorial de fármacos é tema principal de minha pesquisa de doutorado, ora em curso. Penso especialmente no trabalho laboratorial de eliminar o chamado efeito placebo, que inevitavelmente se instala nos fenômenos de produção laboratorial das moléculas medicamentosas. O trabalho desses laboratórios, justamente denominados contra-placebo, cumpre um procedimento protocolar que define o caráter lícito da droga em teste. Nesta comunicação refletirei sobre o processo de legalização laboratorial das drogas. Segue daí, como venho sugerindo, a importância heurística de noções como estabilidade e agência. Abordo esses temas a partir da ótica da chamada Antropologia da Ciência e da Tecnologia, que não por acaso tem aberto caminhos entre os mais promissores da teoria antropológica contemporânea.

GT 23/ 16 -“Estigma e dependentes de drogas ilícitas: etnografia de um grupo de narcóticos anônimos”

– Jardel Fischer Loeck.
Graduando de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Brasil.

Resumo:A proposta deste trabalho baseia-se nos resultados apresentados por um projeto de Iniciação Científica. Este consistiu na elaboração de uma etnografia de um grupo de Narcóticos Anônimos com o fim de levantar dados e levar adiante a discussão sobre a questão do estigma e dos processos de acusação pelos quais passam os usuários compulsivos de drogas ilícitas. Os autores das teorias do estigma e da acusação demonstram que alguns grupos de indivíduos são considerados desviantes por assumirem um comportamento que não condiz com as normas socialmente impostas – entre eles os usuários de drogas ilícitas. O caráter ilegal das substâncias consumidas já inscreve de antemão o usuário na esfera do desvio como um transgressor da lei. Foram privilegiadas na pesquisa as acusações que afetassem as relações sociais dos usuários, sendo estas acusações conseqüência ou não de uma anterior acusação legal. Entendendo que estes processos de acusação e estigmatização têm uma influência negativa na recuperação de usuários compulsivos de drogas e considerando os Narcóticos Anônimos como um grupo que privilegia o caminho inverso ao da acusação e da estigmatização na sua proposta de recuperação destes usuários, pretendeu-se focar os processos de construção de relações entre os membros do grupo e, também, a questão do estigma com membros de longa data do Narcóticos Anônimos, até que ponto a sua marca permanece ou se dissolve a partir da participação no grupo. É uma tentativa de trazer questões importantes da atualidade – drogas e grupos de ajuda mútua – para o debate nas Ciências Sociais.

1 Comment

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