SIMPÓSIO: O USO RITUAL DA AYAHUASCA EM PERSPECTIVA: EXPANSÃO, LEI E SAÚDE

Este simpósio interdisciplinar trata da ayahuasca, bebida com propriedades psicoativas geralmente feita a partir das plantas Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis, usada tradicionalmente em rituais indígenas, xamânicos e religiosos na América do Sul. Além de três exposições, abordando diferentes questões relativas ao uso ritual desta substância, haverá um debate e o lançamento oficial no Brasil do livro The Internationalization of Ayahuasca, recentemente publicado pela LIT Verlag, em Zurique. Os três expositores são autores de artigos do livro.

Sobre as apresentações:

A Ayahuasca em um Contexto Global: Controvérsias, Debate Público e Regulamentação

Beatriz Caiuby Labate

Esta apresentação trata da internacionalização da ayahuasca. Nos últimos 20 anos, seu uso espalhou-se para além do mundo amazônico e isto tem sido acompanhado de grande controvérsia. Esta apresentação analisará o debate público a respeito da expansão do uso desta substância. Focalizará as discussões na mídia e na sociedade sobre a legalização, a liberdade religiosa, a diversidade cultural e os riscos à saúde. Esta análise utiliza trabalho de campo etnográfico nos principais novos contextos do uso desta substância, tais como o turismo da ayahuasca no Peru e a expansão das religiões ayahuasqueiras brasileiras – o Santo Daime e a União do Vegetal – em todo o mundo.

Etnomedicina hoasqueira: o uso tradicional dos “Nove Vegetais” pela União do Vegetal

Sérgio Brissac

Esta exposição trata de uma tradição do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, ou UDV, que, no passado, eventualmente utilizava a bebida “Nove Vegetais”, ou seja, a ayahuasca com o acréscimo de nove espécies de plantas, com finalidades voltadas para a “cura”.  O uso destes vegetais distingue a UDV das demais religiões ayahuasqueiras brasileiras e a aproxima de práticas tradicionais de curadores amazônicos.  São fornecidos dados sobre as propriedades destas espécies e de uma outra também ocasionalmente consumida, o “João Brandinho”.   Estas espécies são comparadas com aquelas consumidas por populações mestiças e indígenas descritas pela literatura especializada:  dos dez vegetais adotados pelo fundador, Mestre Gabriel, há relatos de uso por curadores tradicionais da Amazônia de cinco destas espécies. Constata-se que esses vegetais, possuem, com efeito, propriedades medicinais, indicando a necessidade de mais pesquisa sobre as potencialidades terapêuticas dos Nove Vegetais e do João Brandinho. A apresentação baseia-se em artigo de Beatriz Caiuby Labate, Denizar Missawa Camurça, Sérgio Brissac e Jonathan Ott, publicado no livro The Internationalization of Ayahuasca.

Segurança do uso da ayahuasca do ponto de vista biomédico

Luís Fernando Tófoli

A apresentação examina as questões relacionadas à segurança do uso da ayahuasca do ponto de vista biomédico. Será apresentado um relato de experiência dos dados relacionados à segurança do uso da ayahuasca à saúde mental dentro do contexto do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal. Por meio de resultados anedóticos e originais, serão discutidas as implicações quanto ao potencial de precipitação de crises psicóticas em indivíduos suscetíveis, bem como questões relacionadas às interações com determinados medicamentos. Estes resultados serão discutidos à luz de outros achados da literatura biomédica sobre a segurança do uso da ayahuasca. Por fim, os elementos apresentados serão discutidos no contexto da institucionalização do uso deste psicoativo em diversos países, tentando responder à seguinte pergunta: “até que ponto os estudos biomédicos sobre a segurança da ayahuasca contribuíram para sua legalização?”

Sobre os autores:

Beatriz Caiuby Labate (Bia Labate) é Doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Suas principais áreas de interesse são o estudo de substâncias psicoativas, políticas sobre drogas, xamanismo, ritual e religião. Desde 2009, é Pesquisadora Associada do Instituto de Psicologia Médica da Universidade de Heidelberg. É também pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) e editora de seu site (http://www.neip.info). É autora, coautora e coeditora de oito livros, dois deles com traduções em inglês, e de uma edição especial de um journal acadêmico. Seu livro A Reinvenção do Uso da Ayahuasca nos Centros Urbanos (Mercado de Letras, 2004) é o resultado de sua Dissertação de Mestrado em Antropologia Social pela UNICAMP, a qual recebeu em 2001 o prêmio de Melhor Dissertação de Mestrado da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOCS. Para mais informações ver: http://bialabate.net

Sérgio Góes Telles Brissac é Doutor em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional – Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008). Possui graduação em Filosofia (1990) e graduação em Teologia (1996) pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. É Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional – Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999). Atualmente é Analista de Antropologia/Perito do Ministério Público Federal, atuando no acompanhamento das questões indígenas e de minorias étnicas no estado do Ceará.

Sua dissertação de mestrado, A Estrela do Norte iluminando até o Sul, é uma etnografia da União do Vegetal a partir de trabalho de campo em Campinas, SP. Sua tese de doutorado resultou de pesquisa etnográfica junto aos mazatecos, povo indígena do México. É membro efetivo da Associação Brasileira de Antropologia (ABA).

Luís Fernando Farah de Tófoli Possui graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (1996), residência médica em Psiquiatria (2000) pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Universidade de São Paulo e doutorado em Medicina (Psiquiatria) pela Universidade de São Paulo (2004). Atualmente é professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (Campus Sobral), onde trabalha no Curso de Medicina desde 2002 e no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família (Mestrado Acadêmico em Saúde da Família) desde 2009. Tem experiência na área de Saúde Mental, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde mental em atenção primária, atenção psicossocial, e sintomas físicos inexplicáveis.

Coordenação do Debate:  Profa. Dra. Isabelle Braz, Dep. Ciências Sociais, UFC

Debatedor:  Joel Porfírio Pinto, Mestre em Saúde Mental, USP

Médico psiquiatra e preceptor do internato em Saúde Mental da Universidade de Fortaleza e da Residência do Hospital de Saúde Mental de Messejana. Tem interesse pelos estudos  da Ayahuasca desde quando pesquisou as alterações cerebrais observadas durante seu efeito psicoativo, no Mestrado em Saúde Mental pela Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto.

Lançamento do Livro “The Internationalization of Ayahuasca”, organizado por Beatriz Labate e Henrik Jungaberle (Lit Verlag, 2011)

Resumo:

A Internacionalização da Ayahuasca compõe-se de 27 artigos (quase 500 páginas) e divide-se em três partes: “A Ayahuasca na América do Sul e no mundo”, “Temas médicos, psicológicos e farmacológicos: o uso da ayahuasca é seguro?” e “A expansão do uso da Ayahuasca e o estabelecimento de um debate mundial a respeito da ética e da legalização”. O livro reúne o trabalho de estudiosos de diferentes países e de diferentes disciplinas acadêmicas, oferecendo uma visão abrangente da globalização desta bebida amazônica. Apresenta um rico panorama de reflexões sobre as complexas implicações desta expansão, incluindo desde impactos sobre a saúde, a espiritualidade e os direitos humanos individuais até impactos legais e políticas governamentais. À medida que o consumo da ayahuasca torna-se uma prática cada vez mais estabelecida para além da Amazônia neste início do século 21, Labate e Jungaberle reuniram uma coleção que representa uma contribuição inédita a um campo de pesquisa em expansão. É leitura obrigatória para as pessoas interessadas no presente e futuro da ayahuasca, bem como na espiritualidade, na etnobotânica, na teoria das ciências sociais, nos estudos contemporâneos sobre religião e rituais, nos potenciais terapêuticos dos psicodélicos e nas políticas internacionais sobre drogas. (Kenneth W. Tupper, Ph.D.)

Clique aqui para ler o umário do livro.

Dia: 25 de maio de 2012

Horário: 10:00 – 12:30 h

Local: Auditório Luís de Gonzaga

Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal do Ceará

Av. da Universidade, 2995 – Bloco 1 – 1° Andar

Benfica – Fortaleza, Ceará

Telefone para informações: (85) 3366-7419 e (85) 3366- 7416

Emaildepcs@ufc.br

Horários:

10:00 – Abertura por Isabelle Braz

10:15 – Exposição Beatriz Caiuby Labate

10:40 – Exposição Sérgio Brissac

11:05 – Exposição Luis Fernando Tófoli

11:30 – Comentários Joel Porfírio Pinto

11:45 – Debate

12:15 – Lançamento do livro

12:30hs – Encerramento

Promoção: Departamento de Ciências Sociais – Área de Antropologia (UFC)

Realização: Grupo de Estudos e Pesquisas Étnicas – GEPE

Apoio: Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – NEIP (www.neip.info) e bialabate.net

O livro Internationalization of Ayahuasca foi produzido em Heidelberg, na Alemanha.

Foto de cortesia: Rolf Verres.

Comments are closed.