Chegou as minhas mãos a Dissertação de Mestrado em Drogadependências, de Ilze Andrade Camargo: El uso religoso del té ayahuasca y su relación con la psicosis – un estudio centralizado en la Unión del Vegetal y en el Santo Daime. Divisón de Ciencias de la Salud, Departamento de Psiquiatria y Psicobiología Clinica – Universidade de Barcelona, Barcelona, Cataluña, España, 2003, 91 p.

Eis um pequeno resumo que está no texto:

Se estudia el riesgo que es la ingestión del té ayahuasca en centros urbanos, los núcleos religiosos en expansion, centenas de personas de todas las procedencias, más de 100 personas en una sesión, que es muy diferente de la ingestión del té en la selva amazónica, en contacto con la naturaleza, dentro de rituales chamánicos donde prevalece el respeto y la fe en los poderes divinos del té, siendo ingerido sólo por chamanes o en “rituales de pasaje” por adultos jóvenes.

Comentário:

A autora, psicóloga e ex-adepta da União do Vegetal, menciona casos problemáticos no Santo Daime e na União do Vegetal, apoiando-se em relatos da imprensa (alguns bastante tendenciosos, como o pseudo-jornalístico livro de Alícia Castilla – http://geocities.yahoo.com.br/aliciacastilia/livro1) e pouquíssimos casos coletados por ela na União do Vegetal. Conclui que a substância em si seria inofensiva a saúde, e que quando utilizada num ambiente seguro, “seguindo os preceitos deixados pelo Mestre Gabriel”, não causaria problemas — o que significa que em determinados contextos traria sérias complicações.
Se acrescenta ao propor abordar um tema importante e pouco explorado — os eventuais surtos psicóticos que a ayahuasca pode provocar — o estudo peca pela superficialidade ao não dialogar com a literatura farmalógica ou antropológica sobre a ayahuasca e as religiões ayahuasqueiras brasileiras. Tampouco apresenta e analisa material empírico, embora provavelmente como integrante do grupo tivese acesso a dados interessantes. É surpreendente a ausência de diálogo com o próprio departamento médico-científico da União do Vegetal, que vem há anos coletando dados neste sentido, e conta com alguns pequenos escritos a respeito. O paradoxo é que pretende abordar o tema do ponto de vista ‘científico’ das ciências da saúde partindo de pressupostos religiosos como o de que “o vegetal não é droga”. Torçamos para que o estudo estimule a realização de mais pesquisas neste campo de conhecimento tão pouco investigado.
Para entrar em contato com a autora: ilzecamargopsico@ibest.com.br
Outro artigo que aborda a saúde mental do usuários da ayahuasca é a de Paulo César Ribeiro Barbosa e Paulo
Dalgalarrondo: “O uso ritual de um alucinógeno no contexto urbano: estados alterados de consciência e efeitos em curto prazo induzidos pela primeira experiência com aayahuasca”, in: Jornal Brasileiro de Psquiatria vol. 52, nº 3, pp.181-190, maio-jun 2003.
Para entrar em contato com o autor: pcesarr@yahoo.com.br
Ver artigos sobre pesquisas científicas com a ayahuasca no site da União do Vegetal: www.udv.org.br

1 Comment

  1. Marcelo says:

    Há muitos meses a Dra. Ilze me falou que o text da dissertação estava disponível na net. fui em dois buscadores – Google e Altavista e nada.
    Até hoje espero esse link para baixar o arquivo.
    Acabei de escrever um email para esse endereço publicado pedindo a postagem.
    Tenho muito interesse no assunto, pois tomo antipsicótico há 3 anos depois de fardado no Daime.