HOME PAGE FUNAI, 19.03.2010
A TRIBUNA-AC

Natureza, energia, cultura. A paz e o mistério dos sons da floresta. A troca entre os povos. A renovação de um banho de rio. O flagra de animais selvagens. É difícil dizer o que se pode esperar de uma visita a uma aldeia indígena. A garantia que o turista tem é de que ele terá uma experiência única. E para quem quiser se lançar numa aventura como esta, bem-vindo ao etnoturismo acreano. Apesar de recente, o turismo indígena tem atraído adeptos do Acre, do Brasil e do mundo. E para 2010 o setor aposta numa intensa movimentação em torno das duas principais aldeias abertas para a atividade: a Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, dos Yawanawá, e a Apiwtxa, no rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, dos
Ashaninkas. Os índios Kaxinawá do rio Jordão também estão de olho no segmento e abrem as portas para receber visitantes este ano, com uma programação cultural que promete atrair os turistas encantados pelos rituais xamânicos. Se você se interessou é bastante provável que viva experiências inesquecíveis, pois a emoção dita os passos dos turistas. Mas não espere encontrar nas aldeias índios semi-arredios de
flechas em punho ou com uma cultura original intacta. O contato com o branco, explica o secretário de Turismo, Esporte e Lazer, Cassiano Marques, aconteceu há várias décadas e hoje os índios não vivem isolados em suas aldeias: vêm à cidade, utilizam internet e vivem a
consequência deste contato. Mas, no Acre, você pode experimentar “o caminho” de volta às origens. “Aqui os indígenas estão há algum tempo fazendo um resgate de suas histórias, culturas, costumes, e trabalham, com o apoio do governo, para fortalecer estas raízes. Um
exemplo é o Festival Yawa que acontece em outubro, nos Yawanawás, um momento em que eles vivem sua cultura de forma bastante intensa e param as atividades da aldeia para celebrar isso, resgatar os hábitos de antigamente” .

Experiências únicas

Quem tem as portas abertas para os visitantes há mais de 15 anos são os Ashaninkas, embora só agora estejam estruturando o turismo na aldeia. O público é formado por pesquisadores, ambientalistas e outras pessoas que tenham ligação com a preservação da natureza e a
cultura indígena. “Mas o povo Ashaninka não faz do turismo uma fonte de renda como principal motor econômico da aldeia. Também estamos abertos ao turismo tradicional, mas a princípio é necessário passar por uma avaliação de interesses antes de ser autorizado a entrar
na Terra”, explica Francisco Pianko, do povo Ashaninka, que também é Assessor de Povos Indígenas do Governo do Estado. Pianko explica que só agora o enfoque sobre o tema tem caminhado para o setor do turismo.
“Há uma preocupação na aldeia, e o Governo do Estado através da Setul, tem nos apoiado nisso, para a estruturação desta atividade nos padrões turísticos. Mais de 80% das pessoas que vão a Marechal Thaumaturgo são atraídas pelos Ashaninkas”, disse Pianko. E a experiência de visitar a Apiwtxa, garante o indígena, é de uma riqueza cultural imensa. Os Yawanawás desenvolveram um calendário de visitações que pode ser consultado através da Maanaim Turismo, operadora oficial. E os visitantes podem escolher, inclusive, passar o
reveillon na aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, em Tarauacá. “Visitar os Yawanawás e participar do festival é uma grande aventura” “Visitar os Yawanawás, e principalmente participar do festival que acontece em outubro, é uma experiência inesquecível, de cultura, de contato com a natureza, de vivências”, disse João Bosco, operador de turismo.

Contrato ético deve ser pactuado antes da visitação

O secretário de Turismo, Esporte e Lazer, Cassiano Marques, explica que para o turismo acontecer nas aldeias a iniciativa precisa partir da própria comunidade e o Estado entra apenas para ajudar na organização e estruturação da atividade. “A relação comercial também precisa ser baseada no foco de fortalecer as organizações, nunca indivíduos. Todos os pacotes têm uma taxa de visitação embutida e esta renda é revertida para projetos coletivos e despesas com os turistas durante a visita”, explicou. O turismo indígena não é um
produto de massa e requer um contrato ético que precisa ser respeitado. Antes de arrumar a mochila e partir pra uma terra indígena é preciso estar ciente de alguns cuidados que deverão
ser respeitados e sobre como é o modo de vida nas aldeias. Em outras palavras: você não vai para um hotel de selva. Precisa levar, entre outras coisas, sua própria roupa de cama. A cultura indígena deve ser respeitada sem questionamentos. “O turista deve procurar vivenciar a experiência sem interferir com os seus valores, que não devem, em momento algum, serem comparados ou compartilhados para serem seguidos pela comunidade. Também é preciso se portar devidamente nos banhos de rio e no convívio com a realidade.

Turistas precisam respeitar calendário

Uma das preocupações de Pianko enquanto assessor de Governo é que as visitas turísticas não interfiram de forma constante nas rotinas da aldeia. “Por isso há toda uma preocupação na hora de montar o calendário de visitação. O turista não vai simplesmente na hora que quer, é preciso respeitar um calendário que foi montado com base nas atividades da aldeia e acompanham os festivais, plantações e outros momentos importantes da comunidade indígena”, explicou o operador de turismo João Bosco, da Maanaim Amazônia, operadora credenciada junto aos Yawanawás.

Quem leva

A Maanaim Amazônia é a operadora oficial do etnoturismo no Acre e a única credenciada junto aos Yawanawás e Kaxinawás. Ela organiza os grupos e está em contato permanente com as aldeias. Há uma programação fechada de acordo com as atividades indígenas.

Contato:
contato@maanaim. amazonia. com
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Recomendações

A cultura dos visitantes é uma e dos visitados outra, completamente diferente. O turista será orientado a não tentar compartilhar ou impor sua cultura aos índios. Outros cuidados também são importantes. “Não é porque uma índia de determinada etnia não usa blusa que a turista não vai usar. Isso não faz parte da cultura dela, apenas da cultura indígena e deve ser totalmente evitado. (AN do Acre)

Fonte: Clipping da 6ªCCR do MPF

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