Publicado no Portal Terra, quinta, 13 de novembro de 2008, 14h31, aqui.

Os dois principais representantes cocaleiros da Bolívia defenderam esta semana, em Viena, perante a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), o uso cultural e doméstico da folha de coca, cuja proibição é reivindicada pela ONU há anos.

Os dirigentes dos cocaleiros de Cochabamba, Julio Salazar, e de Yugas-La Paz, Hernán Justo, disseram à agência EFE que estão “otimistas” por terem conseguido uma maior compreensão entre os 13 membros da Junta.

A Jife é um órgão independente e judiciário da ONU, encarregado de vigiar a aplicação dos tratados de fiscalização internacional em matéria de drogas.

Justo explicou aos membros da Junta que a folha de coca é consumida na Bolívia antes mesmo da chegada dos espanhóis à América, no século XV.

“Consumimos (a folha de coca) no âmbito religioso, cultural, educativo e no trabalho. Por isso, é tão importante explicar que não se trata de uma droga”, disse Justo, que representa 25 mil camponeses cocaleiros.

Por sua vez, Salazar destacou que os cocaleiros da Bolívia já deram um passo na comunidade internacional ao racionalizar de “forma voluntária” o cultivo da coca.

“Cada camponês se conforma com uma sexta parte de um hectare para a produção de coca para o consumo legal e local”, explicou o representante de 50 mil cocaleiros.

“A Bolívia não pretende exportar a coca de forma ilegal”, garantiu Salazar, que destacou o perigo de uma crise econômica, caso a produção da folha seja proibida.

Os dois dirigentes bolivianos pediram que a ONU e a comunidade internacional realizem novos e exaustivos estudos científicos “para demonstrar os usos positivos da folha de coca”.

Quanto à recente expulsão do Departamento Antidroga dos EUA (DEA, em inglês), os dois dirigentes destacaram que esse passo “dignificou” os cocaleiros bolivianos.

“Não precisamos da DEA, o controle social do comércio da folha de coca é mais efetivo. Se houver produção excedente, vamos racionalizar e controlar mais”, afirmou Salazar.

Todos os anos, a Jife publica um exaustivo relatório sobre as drogas, documento considerado essencial para a evolução das políticas antidrogas internacionais.

No relatório deste ano, a Jife pede que Bolívia e Peru adotem medidas para abolir o uso da folha de coca contrário à Convenção Única sobre Drogas Entorpecentes, de 1961, inclusive a prática de mastigá-la.

EFE

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