Renato Sztutman
Resumo:
Como a ciência moderna, o xamanismo indígena apresenta-se como uma reflexão sobre as causas dos fenômenos, como mudanças ambientais, doenças, mortes etc. À diferença da ciência moderna, no entanto, o xamanismo indígena está ancorado no pressuposto de que por trás dessas causas residem sempre sujeitos intencionais, muitas vezes designados como humanos. Nesse sentido, o acaso não constitui uma explicação suficiente nessas sociedades. Nesse mundo onde tudo é animado, um outro tipo de política desponta, pois xamãs são aqueles que podem não apenas explicar a realidade, mas agir sobre ela, eles podem estar na origem de um acontecimento inexplicado. Por intermédio de espíritos auxiliares, eles podem provocar mudanças ambientais, doenças, mortes etc. Muitas vezes, suas ações ocorrem como retaliação à ação de outros xamãs, o que revela uma espécie de guerra invisível. Em suma, o xamanismo é um modo tanto de conhecer o mundo, como de agir sobre ele, e essa ação é sempre política – ou cosmopolítica – porque envolve a constante negociação entre xamãs e seres sobrenaturais, bem como dos xamãs entre si.
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