Raimundo Monteiro de Souza, um dos mais antigos discípulos de Mestre Gabriel e lideranças mais proeminentes da União do Vegetal (UDV), que ocupou o cargo máximo de Mestre Geral da instituição, distribuiu recentemente áudio expressando seu apoio ao candidato Jair Bolsonaro a presidente da República. O áudio, seguindo a estética e estilo performativo utilizado por líderes da instituição para fazer preleções aos discípulos durante os rituais religiosos, se endereça a irmandade da UDV para falar da “crise moral” que o pais atravessa. Nele, o autor expressa apoio a família, “célula-máter da sociedade”, e ser contra gays, os “movimentos que degradem a moral”, os “direitos dos bandidos”, a “defesa da libertinagem”, a “ideologia de gênero”, e o desarmamento. Conclui afirmando que estas são posições pessoais e “pensamentos da União do Vegetal”. 

O ato representa a quebra de uma tradição histórica, uma vez que a UDV se declara instituição apartidária.

O áudio causou indignação entre seguidores das religiões ayahuasqueiras e entre alguns membros da própria UDV. Para um(a) proeminente pesquisador(a) da área, que não quis se identificar, o áudio “infelizmente não surpreende”: “Na sua autorrepresentação pública a UDV tende a diminuir suas raízes indígenas e africanas (enfatizando seus aspetos cristãos e espíritas); a instituição mantém laços históricos com militares, e são conhecidas as suas posições “a favor da família”, contra o homossexualismo e rejeição de mulheres no cargo de Mestre”.

Tentando apagar o incêndio, a direção atual da instituição soltou uma nota repreendendo a atitude, sem mencionar nomes ou detalhes, afirmado que a UDV não tem candidato e “união da irmandade deve ser preservada”. 

Comments are closed.